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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Filme do Dia: O Homem Que Não Vendeu Sua Alma (1966), Fred Zinnemann

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O Homem Que Não Vendeu Sua Alma (A Man For All Seasons, Reino Unido, 1966) Direção: Fred Zinnemann. Rot.Adaptado: Robert Bolt, baseado em sua própria peça. Fotografia: Ted Moore. Música: Georges Delerue. Montagem: Ralph Kemplen. Com: Paul Scofield, Wendy Hiller, Leo McKern, Robert Shaw, Orson Welles, Susannah York, Nigel Davenport, John Hurt, Corin Redgrave, Vanessa Redgrave, Colin Blakely.
           Thomas More (Scofield) substitui o ministro anterior,  cardeal Wolsey (Welles), no governo de Henrique VIII (Hiller). Em conversa íntima com o próprio, que lhe indicaria, este recomenda que ele deveria ser um eclesiasta, ao que ele responde “como o senhor?”, numa clara alusão de que seus  princípios éticos se encontravam bem acima dos de certos homens com grande poder eclesiástico, como o próprio cardeal. Sondado pelo rei, logo após sua posse como ministro, mantém-se firme às pressões deste, que pretende que ele lhe dê o divórcio de sua espoa anterior para que se case com Anna Bolena (Redgrave). Uma intriga, envolvendo um cálice de prata que recebera como tentativa de corrompê-lo (era um magistrado de notório saber, competência e parcialidade) e que entregara a Rich (Hurt), pretendente a cargo público que constantemente lhe importuna, levam-no a julgamento e posterior condenação ao cadafalso.
Adaptação em grande estilo de uma peça de Robert Bolt (pelo próprio) que tem  como virtude uma explicitação bem transparente dos motivos históricos e uma magistral interpretação de Scofield e como principal falha, em grande parte decorrente dessa própria transparência e didatismo, um roteiro excessivamente esquemático e literário, sem maior aprofundamento nos personagens - o exemplo-mor, que chega ao ridículo, é a caracterização do debochado monarca. O sutil humor com que pretende amaciar a trama e torná-la mais palatável ao grande público chega a ser irritante. O estilo visual e a montagem passam longe de qualquer inventividade - e o raro momento em que por uma fresta é observada a passagem das quatro estações e que faz referência direta ao título original apenas é a exceção que confirma a regra. Ao preterir Quem Tem Medo de Virginia Woolf?  na premiação de melhor filme por este, realizado já em um momento declinante, em termos artísticos, na carreira de Zinnemann, a Academia de Hollywood conseguiu ser, de certa forma, coerente ao premiar as virtudes do academicismo sobre a originalidade. Curiosamente, o filme não deixa de apresentar involuntariamente características culturais do momento em que foi produzido, como no visual típico dos cabelos de meados dos anos 60 de Hurt. Columbia. 117 minutos.