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#ELENÃO

sábado, 11 de novembro de 2017

Filme do Dia: Igual a Tudo na Vida (2003), Woody Allen

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Igual a Tudo na Vida (Anything Else,EUA, 2003). Direção e Rot. Original: Woody Allen. Fotografia: Darius Khondgi. Montagem: Alisa Lepselter. Dir. de arte: Sandro Loquasto & Tom Warren. Cenografia: Regina Graves. Figurinos: Laura Jean Shannon. Com: Jason Biggs, Woody Allen, Christina Ricci, Danny DeVito, Kader Strickland, Jimmy Fallen, Anthony Arkin, Fisher Stevens.
Jerry Folk (Biggs) é um jovem que pretende se lançar no universo do humor em Nova York. Possuindo um agente atrapalhado, Harvey (DeVito) que menos ajuda que o inverso, ele procura se moldar ao comediante veterano David Dobel (Allen), um excêntrico sujeito com mania de perseguição. Folk vive uma relação com a complicada Amanda (Ricci), que não quer fazer sexo com ele e que acredita ter superado essa barreira quando o faz com o professor de teatro. Para tentar transformar a situação cada vez mais caótica na vida de ambos, Dobel convida Jerry para abandonarem toda a vida que levam e partirem para a Califórnia, onde tentariam realizar um programa de TV. De última hora, no entanto, Dobel desiste da viagem.

Em momento não muito feliz de sua carreira, Allen reproduz muitos dos chavões do seu habitual universo artístico nova-iorquino. Nesse sentido, tudo soa requentado e a  vital originalidade dos filmes que realizou com Mia Farrow nos anos 80 parece ter sido abandonada de vez: de piadas sobre masturbação à tentativa desajeitada de violência que Allen empreende contra o carro de dois brutamontes. Embora divertida, a cena do carro parece antes refletir o transbordamento de situações igualmente patéticas de reação à violência do grau de inofensiva hilaridade como o boneco maltrapilho e o spray com pimenta em Um Misterioso Assassinato em Manhattan, para uma violência de tons quase fascistas, como igualmente o tiro que Dobel afirma ter dado em um homem. A motivação para que tal violência se dê, ao mesmo tempo, é inversamente proporcional ao de seus filmes anteriores. Por outro lado, seu retrocesso rumo a uma desmesurada egotrip aqui ganha uma dimensão singular. Enquanto o cineasta no período de sua parceria com Farrow demonstrou um senso de composição dramática que ia além de seu próprio alter-ego, a partir de Hannah e Suas Irmãs (1986), dando consistência relativamente sofisticada a personagens bem diversos, aqui o caminho inverso ocorre e como se não bastasse o próprio personagem vivido por Allen, ele ainda transforma Jerry, vivido por Biggs, em seu duplo, atrapalhado, gaguejante e problemático com as mulheres, num espelhamento excessivo de conotações que beiram o homo-erotismo e a aberta misoginia. Segundo filme do cineasta realizado com processo de tela larga, porém sem a motivação visual do outro filme seu que utilizou o mesmo processo, Manhattan (1979). Canal +/Dreamworks/Granada Film Productions/Gravier Productions/Perdido Productions. 108 minutos.