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domingo, 19 de novembro de 2017

The Film Handbook#149: Andrzej Wajda

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Andrzej Wajda
Nascimento: 06/03/1927, Suwalki, Polônia
Morte: 09/10/2016, Varsóvia, Polônia
Carreir (como diretor): 1950-2016

Talvez o melhor, certamente o mais conhecido realizador polonês de sua geração, Andrzej Wajda tem repetidamente  se debatido com os problemas de representar a história recente da Polônia. Gradualmente se afastando de um estilo grandemente barroco, e mesmo expressionista, rumo a um naturalismo mais convencional, ele tem persistentemente problematizado  as versões "oficiais" de eventos históricos e da ideologia.

Tendo lutado ao lado da Resistência durante a Segunda Guerra Mundial, Wajda foi estudante da escola de cinema de Lodz, onde dirigiria diversos curtas após ter sido assistente de Aleksander Ford em Five Boys from Barska Street/Piatka z ulicy Barskiej, realizando sua estreia na direção de um longa com Geração/Pokolenie, o primeiro filme de uma vaga trilogia que também incluiu Kanal>1 e Cinzas e Diamantes/Popiól i Diament>2. Todos três se referiam à experiência polonesa da guerra (os dois primeiros retratando a atividade da Resistência em uma Varsóvia ocupada; o último, ambientado nos dias finais da guerra, no assassinato de um membro do partido comunista) e foram notáveis não somente por seu melancólico imaginário (a ação de Kanal ocorre em grande parte nos esgotos da cidade, enquanto o protagonista de Cinzas e Diamantes morre em um monte de lixo), assim como por sua visão nada romântica do heroísmo de guerra. De fato, mais que aceitar o mito de que se morrer lutando por seu país é puramente uma questão de glória, Wajda acentua a confusão, medo e ansiedade dos personagens; e, como eles, da própria Polônia, presa entre a Rússia e a Alemanha, observada enquanto buscando um senso de identidade.

Apesar da obra posterior de Wajda ser comparativamente menor, tanto Lotna (sobre as lutas da Polônia contra os invasores nazistas em 1939) quanto Os Inocentes Charmosos/Niewinni Czarodzieje (sobre o cinismo e a desilusão da juventude contemporânea) revelam um interesse continuado nos efeitos das mudanças sociais e políticas sobre os indivíduos. Mas foi somente com Tudo à Venda/Wszystko na Sprzedaz>3 que realizaria um avanço significativo sobre seus filmes anteriores: inspirado na morte do ator Zbigniew Cybulski e mensurando os efeitos de uma morte similar sobre o elenco, equipe técnica e diretor de um filme em produção, o filme analisa a relação entre ilusão e realidade e se depara na natureza frequentemente exploradora da criatividade artística. Por alguns anos, no entanto, Wajda parecia ter perdido seu rumo: Moscas Caçadoras/Polowanie na Muchy foi uma excursão rara e não bem sucedida à sátira, Paisagem Após a Batalha/Krajobraz po Bitwie um retorno ao tema da guerra, O Bosque de Bétulas/Brzezina e The Wedding/Wesele sólidas mas indistintas adaptações literárias relativamente apolíticas.

Para O Homem de Mármore/Czlowiek z Marmuru>4, Wajda abandonou seu gosto pela alegoria e simbolismo focando diretamente no legado stalinista para a Polônia do pós-guerra. Uma jovem documentarista decide investigar a queda em desgraça de um herói  pedreiro dos anos 50: sua descoberta de que ele se encontra desaparecido, provavelmente morto e que sua "desgraça" remetia ao seu apoio a um amigo, enquadarado em um "julgamento-evento" dos anos 50, permite que Wajda ofereça uma acentuada acusação de corrupção oficial e por parte da cobertura midiática. Não foi surpreendente que o filme tenha sido inicialmente banido. Igualmente relevante na sua mescla de pessoal e político foi Sem Anestesia/Bez Znieczulenia (no qual a desintegração emocional de um jornalista coincide com seu prestígio político perdido), O Homem de Ferro>5, (uma sequência de O Homem de Mármore, na qual o marido da documentarista, em notória alusão a Lech Walesa, do Solidariedade, é objeto de uma campanha difamatória), e o drama histórico realizado na França Danton>6, cuja oposição do heroi a Robespierre quando a Revolução Francesa se transforma no Reino do Terror, abertamente espelhava os eventos contemporâneos na terra natal de Wajda. Ao mesmo tempo Wajda alternava esses possantes e intransigentes filmes políticos com de longe menos bem sucedidas alegorias como O Maestro/Dyrygent e dois romances melancólicos e nostálgicos (As Senhoritas de Wilko/Panny z Wilka, Crônica de Acontecimentos Amorosos/Kronica Wipadków Milosnich) e um outro retorno a Segunda Guerra Mundial (Um Amor na Alemanha/Eine Liebe in Deustchland), todos notáveis por suas sensíveis descrições das emoções humans, mas todos prejudicados por uma certa previsibilidade.

No seu melhor, Wajda casa política e história com um compromisso e inteligência que tornam seus filmes tanto lúcidos quanto comoventes. Porém, ele é um talento errático e sua obra menor (mesmo digna e profícua) pode ser acadêmica e pesada.

Cronologia
Um contemporâneo de Jerzy Kawalerowicz e dos últimos filmes de Andrzej Munk, Wajda foi fundamental no encorajamento para que Polanski e Skolimowski se tornarssem realizadores. Sua influência pode ser discernida na obra de figuras mais jovens tais como Krzysztof Zanussi, Agnieska Holland e Krzystof Kiewslowski.

Destaques
1. Kanal, Polônia, 1957 c/Wienczyslaw Glinski, Teresa Izewska, Emil Karewicz

2. Cinzas e Diamantes, Polônia, 1958 c/Zbigniew Cybulski, Ewa Krzyzewska, Adam Pawlikowski

3. Tudo à Venda, Polônia, 1969 c/Andrjez Lapicki, Beata Tyszkiewicz, Daniel Olbrychski

4. O Homem de Mármore, Polônia, 1976 c/ Krystyna Janda, Jerzy Radziwilowicz, Tadeusz Lomnicki

5. O Homem de Ferro, Polônia, 1980 c/Jerzy Radziwilowicz, Krystyna Janda, Marian Opiana

6. Danton, França, 1982 c/Gérard Depardieu, Wojciech Pszoniak, Patrice Cháreau

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 303-4.