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domingo, 5 de novembro de 2017

Filme do Dia: Direito de Amar (2009), Tom Ford



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Direito de Amar (A Single Man, EUA, 2009). Direção: Tom Ford. Rot.Adaptado: Tom Ford & David Scearce, a partir do romance de Christopher Isherwood. Fotografia: Eduard Grau. Música: Abel Korzeniowski. Montagem: Joan Sobel. Dir. de arte: Dan Bishop & Ian Phillips. Cenografia: Amy Wells. Figurinos: Arianne Phillips. Com: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode, Jon Kortajarena, Paulette Lamori, Ryan Simpkins, Teddy Sears.

Idos da década de 60. George (Firth), professor de inglês, um ano após a morte de seu companheiro, Jim (Goode), em um acidente de carro, ainda não consegue lidar com a sua ausência. Próximo a ele vive uma amiga, Charley (Moore), solitária desde a separação do marido, que o convida para um jantar que quase termina com uma sedução. Assoberbado pelo fantasma das lembranças, sua atuação em sala de aula também fica notoriamente diferente do habitual, chamando a atenção da classe e sobretudo de um aluno sensível, Kenny (Hoult), que passa a segui-lo desde a aula e o aborda no bar onde George sempre vai, próximo de sua casa, para onde ambos vão após um banho de mar.

Longa de estreia do estilista e cineasta bissexto Ford. O filme consegue lidar relativamente bem com a construção do luto de sua personagem, ainda que a compressão espaço-temporal (toda a narrativa se passa em um único dia) lhe provoque ranhuras sérias, como é o caso do excesso de situações que remetem a recordações ou fantasias de George, vivido de forma digna por Firth, para conseguir dar conta dramaticamente do tempo. Não se necessita aqui de toda uma ambiência social (como é o caso da releitura de Sirk empreendida por Todd Haynes em Longe do Paraíso, com a mesma Moore) para se ter ideia de que são tempos conservadores, até mesmo porque o filme parece ser uma produção relativamente modesta e, mais importante, tudo nos é praticamente filtrado pela perspectiva de George. Evidentemente, algumas saídas visuais conseguidas por Ford soam constrangedoramente como tentando traduzir alguma passagem literária da obra de Isherwood, como o voo de uma coruja que aparentemente simboliza um início de superação do luto, com a redescoberta do desejo sexual, algo que se demonstrará equívoco, no entanto. Outras soluções, como a do encontro eventual de George com um rapaz espanhol, com boa vontade poderia ser pensada como mais um elemento a construir o perfil psicológico do personagem. Um certo pessimismo e temor do pior se encontra associado ao risco do conflito nuclear gerado pelo episódio da Baía dos Porcos, um dos piques da Guerra Fria, que era então vivenciado – e que seria evocado, de forma discreta, no contemporâneo ao evento O Eclipse. A caracterização visual de George embora deva ter sido pensada tendo como modelo o protagonista de A Doce Vida soa talvez mais próximo de alguns protagonistas masculinos das séries de TV como A Feiticeira. O título em português é tão pomposamente folhetinesco quanto boa parte daqueles que ganhou a produção da época clássica hollywoodiana. Fade to Black Prod. para The Weisnten Co. 99 minutos.


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