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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Filme do Dia: Os Apuros do Senhor Max (1937), Mario Camerini

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Os Apuros do Senhor Max (Il Signor Max, Itália, 1937). Direção: Mario Camerini. Rot. Original: Mario Camerini & Mario Soldati, a partir do argumento de Amleto Parmi. Fotografia: Anchise Brizzi. Música: Renzo Rossellini. Montagem: Mario Camerini & Giovanna Del Bosco. Dir. de arte e Figurinos: Gino Sensani. Com: Vittorio De Sica, Assia Noris, Rubi D’Alma, Lilia Valle, Caterina Collo, Umberto Melnati, Mario Casoleggio, Virgilio Rieuto.
O jornaleiro Gianni (De Sica), de humilde família, vive sonhando em fazer parte do mundo da alta sociedade. Seus sonhos se tornam mais próximos quando se transforma no queridinho da socialite Paola (D’Alma),  personificado como Senhor Max, em detrimento de um pretendente que esnoba. Após sofrer um acidente de bicicleta quando procurava seguir o carro de Paola, Gianni se torna objeto da paixão da criada de Paola, Lauretta (Noris). A partir de então sua vida se transforma em um inferno, tendo que levar a farsa adiante de sua dupla personalidade. Quando percebe que por mais que se esforce, jamais conseguirá atingir os hábitos sofisticados de seus amigos ricos, Gianni convida Lauretta para ser sua futura esposa e a leva para sua família, que a recepciona com alegria.

Camerini retorna a elementos formulados em seu sucesso Gli Uomini, Che Mescalzoni!, de cinco anos antes. Lá, como aqui, De Sica vive o mesmo tipo popular que pretende se fazer passar por grã-fino para conquistar uma mulher. Nesse sentido, não falta sequer uma alusão a própria obra anterior, que vincula a tentativa de conquista do herói com seu esforço na bicicleta. Lá, como aqui, ocorre uma ambiguidade no que concerne a descrição do universo luxuoso, exaltado em boa parte da produção escapista de então. Ao final de contas, o que acaba sendo valorizado é o elemento provinciano, não aquele que fala em inglês ou possui hábitos requintados como jogar bridge. Trata-se, ao final de contas, de um populismo um tanto conformado, de uma forma quase involuntariamente caricata – Gianni apenas decide optar por Lauretta, que sempre surgira como segunda opção, quando se sente  definitivamente incapaz de compartilhar os códigos sociais valorizados pelo grupo ao qual pretende fazer parte – representado pelo jogo de bridge; sem falar que ele já sofrera humilhação bem maior anteriormente quando tentara se apresentar como cavaleiro, humilhação essa flagrada exclusivamente pelo espectador. Aqui, o ritmo frenético da montagem, que fora a tônica dominante do filme anterior, aparece em momentos esparsos que se contrapõem de forma evidente a uma maior presença de planos longos. Curiosamente, ao contrário das convenções em tramas similares, o engodo não chega a ser descoberto ao final por nenhuma das partes. Como habitual, Camerini consegue desempenhos apropriados para o material ao qual se propõe. Astra Films para ENIC. 86 minutos.

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