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domingo, 26 de novembro de 2017

Filme do Dia: Tatuagem (2013), Hilton Lacerda


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Tatuagem (Brasil, 2013). Direção e Rot. Original: Hilton Lacerda. Fotografia: Ivo Lopes Araújo. Música: DJ Dolores & Johnny Hooker. Montagem: Mair Tavares. Dir. de arte: Renata Pinheiro.  Com: Irandhir Santos, Jesuíta Barbosa, Rodrigo García, Sílvio Restiff, Ariclenes Barbosa, Nash Leila, Sílvio Restiff, Sylvia Prado.

Final dos anos 70. A libertária trupe teatral liderada por Clécio (Santos) prepara um novo espetáculo e este se envolve com um jovem soldado da PM, Fininho (Barbosa), então namorado da irmã de um membro da trupe, Pauleta (García). O grupo passa a morar junto em um casarão. Boa parte deles é contra o envolvimento de Clécio, pois ainda se vivencia os efeitos do regime militar. Fininho tatua um c em seu peito, em tributo a Clécio. Certo dia chega a ordem de proibição do espetáculo. O grupo ignora, e faz um ato de revide, após a tentativa frustrada de negociação com os censores. A polícia efetua um ato de repressão ao grupo. Fininho, que já fora incorporado ao grupo, vai morar em São Paulo e manda notícias, dizendo que a tatuagem dificultava com que conseguisse emprego.

Sua trama algo rala, que foge de relações causais tradicionais, mas ao mesmo tempo não deixa de criar falsas expectativas quanto a concretização de elementos dramáticos pretensamente associados àquelas – Fininho como possível delator, conflito familiar da família do mesmo por conta de sua vida secreta, etc – talvez sugira um viés que no cinema brasileiro foi mais bem efetivado por um filme como Cinema, Aspirinas e Urubus. Aqui, por mais que a atmosfera de uma época seja relativamente bem explorada, longe de se abusar de valores de produção que façam menção a se tratar de um “filme de época”, solução que mesmo que tenha como principal causa o fato de se tratar de uma produção relativamente modesta acaba lhe caindo bem, perde-se em termos de uma diluição de qualquer enfrentamento mais denso seja com a cena cultural, com a história de amor ou com o momento político. Enquanto evocação de uma arte libertária, o filme fica bastante aquém de A Febre do Rato, roteirizado pelo próprio Lacerda – dirigindo aqui seu primeiro longa ficcional, ainda que seja um dos que mais generosamente se prestou na apresentação de corpos nus, sobretudo masculinos e na evocação do amor gay no cinema brasileiro até o momento de sua produção. Destaque para a sua trilha de canções, que inclui a inusitada Polka do Cu.  Rec Prod. Associados. 110 minutos.

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