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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

The Film Handbook#93: John Frankenheimer

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John Frankenheimer
Nascimento: 19/02/1930, Malba, Nova York, EUA
Morte: 06/07/2002, Los Angeles, Califórnia, EUA
Carreira (como diretor): 1957-2002

Parece difícil agora crer na louvação crítica que, a determinado momento, coube a John Frankenheimer. Afirmações de que era o mais promissor jovem cineasta dos anos 60 tem sido efetivamente refutadas pela constante rudeza de sua obra nos últimos vinte anos.

Um diretor de bem sucedidos dramas televisivos, Frankenheimer estreou no cinema com uma versão da peça para a TV No Labirinto do Vício/The Young Stranger. Bem interpretado, mas rotineiro, filme a respeito do choque de gerações sobre um jovem delinquente, sendo que seu fracasso comercial motivou o retorno de Frankenheimer para a telinha pelos próximos três anos. Foi somente após Juventude Selvagem/The Young Savages, marcado fortemente pela defesa especial do tipo "sociedade é culpada" enquanto o advogado nova-iorquino de Burt Lancaster questiona os motivos de se acusar por homicídio um delinquente em seu velho bairro. O Homem de Alcatraz/The Birdman of Alcatraz>1 - a verdadeira história de um matador cuja paixão pela ornitologia, enquanto serve uma sentença de prisão perpétua, produz sua regeneração moral - mescla excelentes interpretações, uma narrativa sem pressa e um realismo quase documental com efeito tocante; O Anjo Violento/All Fall Down, um melodrama sobre a crescente desilusão de um adolescente com o egoísmo e obsessão por mulheres de seu irmão mais velho, apresentava personagens impressionantemente grosseiros e um crescente domínio do senso atmosférico; Sob o Domínio do Mal/The Mandchurian Candidate>2, um thriller político de conspiração sobre um veterano da Guerra da Coréia programado por uma lavagem cerebral para assassinar o presidente, combina habilmente a tensão do suspense com sátira de humor negro.

O último desses se provou parcialmente profético; mais notável, no entanto, foi a complexa utilização de quadros dentro de quadros - frequentemente monitores de TV em segundo plano - proporcionando uma ampla gama de informações dentro de uma única imagem. Igualmente eficiente em criar um ambiente de paranoia disseminada Sete Dias de Maio/Seven Days in May, empregava tecnologia moderna para evocar os labirínticos canais de comunicação através dos quais um golpe militar, seguindo um acordo nuclear do presidente norte-americano com a Rússia, é planejado e frustrado. Desde então, no entanto, o gosto de Frankenheimer por espetacularidade visual e os mecanismos de um bem engrenado enredo levaram-no a estéreis, pretensiosos e mal caracterizados nonsense como O Trem/The Train, O Segundo Rosto/Seconds (cruel sátira sobre os perigos do rejuvenescimento, frequentemente prejudicado por seus comentários sociais auto-conscientes) e Grand Prix.

Daí em diante, Frankenheimer parece ter perdido seu senso de direção e enveredou por filmes de ação espalhafatosos até adaptações para atores (O Homem de Kiev/The Fixer, The Iceman Cometh). Dois filmes escritos por Robert Dillon apresentaram um breve retorno à forma: Até o Último Disparo/99 44 - 100% Dead foi uma divertida sátira aos filmes de crime do início ao final, enquanto Operação França II/The French Connection II>3 foi um avanço enorme em relação ao original de Friedkin. Distanciando-se ele próprio da intolerância hipócrita de Doyle enquanto persegue um cartel de drogas em Marselha, ao mesmo tempo demostra sua insegurança durante as cruciantes cenas que apresentam o efeito de abstinência após ter sido injetado com heroína. Desde então, no entanto, a carreira do diretor tem declinado cada vez mais, englobando thrillers rotineiros e até mesmo risíveis (Domingo Negro/Black Sunday, O Documento Holcroft/The Holcroft Covenant, Nenhum Passo em Falso/52 Pick Up), uma incursão desastrosa nos filmes de artes marciais nipônicas (The Challenge) e um absurdo alegoria de horror ecológica (Semente do Diabo).

Em retrospecto, a adoção de superfícies visuais crescentemente repletas de elementos em sua obra inicial pode ser observada como antecipando a pirotecnia rasa de seus filmes posteriores, com o estilo se sobrepondo ao conteúdo e ao compromisso. Ele hoje aparenta ser um artesão anônimo, tristemente indiferente à qualidade do material que escolhe para trabalhar.

Cronologia
No seu melhor Frankenheimer apresentava grandes ambições a respeito da qualidade visual de sua obra que segue a de outros que se iniciaram na TV como Lumet, Penn e Norman Jewinson; seu rápido declínio, no entanto, assegurou que sua influência tenha sido mínima.

Leituras Futuras
The Cinema of John Frankenheimer (Londres, 1969), de Gerald Pratley.

Destaques
1. O Homem de Alcatraz, EUA, 1962 c/Burt Lancaster, Karl Malden, Thelma Ritter

2. Sob o Domínio do Mal, EUA, 1962 c/Frank Sinatra, Laurence Harvey, Angela Lansbury

3. Operação França II, EUA, 1975 c/Gene Hackman, Bernard Fresson, Fernando Rey

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 110-1.

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