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domingo, 18 de setembro de 2016

Filme do Dia: Marat/Sade (1967), Peter Brook


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Marat/Sade (Reino Unido, 1967). Direção: Peter Brook. Rot. Adaptado: Adrian Mitchell, baseado na peça de Peter Weiss. Fotografia: David Watkin. Montagem: John Priestley. Dir. de arte: Sally Jacobs & Ted Marshall. Figurinos: John Hales, Lynn Hope & Gunilla Palmstiern-Weiss. Com: Patrick Magee, Ian Richardson, Michael Williams, Clifford Rose, Glenda Jackson, Freddie Jones, Hugh Sullivan.
No hospício de Charenton, o Marquês de Sade (Magee) dirige uma peça que tem como tema, o assassinato de Jean-Paul Marat (Richardson), líder da Revolução Francesa, por Charlotte Corday (Jackson).
Árida adaptação cinematográfica da célebre peça de Weiss. Há uma elegância visual no fluido trabalho de câmera, mas ainda assim tudo se sustenta (ou não, dependendo do caso) a partir dos diálogos e canções encenadas num palco com alguns poucos recursos coreográficos e a presença de uma grade que o separa da platéia na penumbra. Aliás, talvez o mais interessante do filme seja menos sua aguda e irônica percepção ideológica dos eventos retratados que o jogo de espelhamentos criados a partir dessa divisão entre público e o que é encenado, em nenhum momento deixando que se esqueça se tratar de fato de uma representação, ao mesmo tempo em que mescla na representação do público, a possibilidade de se tratar da peça de Sade, de Weiss e do público do próprio filme. Nesse sentido, ao apresentar a certo momento, membros da platéia abandonando o espetáculo, ironicamente estaria espelhando a potencial rejeição do público pelo próprio filme. Sem concessões, Brook manda às favas qualquer pretensão de realismo (indo muito além, neste sentido, da proposta da trilogia dirigida por Lars Von Trier). Não apenas os cenários não buscam qualquer pretensão realista quanto os próprios personagens são evocados a todo momento enquanto tais, utilizando-se de estratégias narrativas próximas de Brecht, igualmente na utilização das canções, algumas delas com letras bastante engenhosas em sua pretensão cômica. Há certamente muita influencia da atmosfera contestatória contemporânea na sua aberta simpatia pela anarquia das rudes plebes revolucionárias, tampouco deixando de estender sua ironia às próprias plebes e no seu desfecho de violência catártica e completamente destituído de telos. O resultado final, ainda que árduo, recompensa os resistentes com alguns engenhosos momentos de humor que procuram amenizar o radicalismo da proposta. Brook, cineasta bissexto, voltaria a realizar uma produção com certa notabilidade com sua adaptação do Mahabarata. Jackson, estonteantemente bela como  Corday, a assassina de Marat, foi descoberta por Weiss na montagem teatral. Marat/Sade Prod./Royal Shakespeare Co. para United Artists. 116 minutos.

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