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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Filme do Dia: Riocorrente (2013), Paulo Sacramento


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Riocorrente (Brasil, 2013). Direção e Rot. Original: Paulo Sacramento. Fotografia: Aloysio Raulino. Música: Paulo Beto. Montagem: Idê Lacreta & Paulo Sacramento. Dir. de arte: Akira Goto.  Com: Roberto Audio, Simone Iliescu, Lee Taylor, Vinícius dos Anjos.
Renata (Iliescu) se divide entre dois amantes, Marcelo (Audio), sofisticado jornalista e crítico cultural e Carlos (Taylor), experiente arrombador e ladrão de automóveis, pai do garoto negro Exu (dos Anjos), a quem ocasionalmente chama para andar com ele de moto. Após uma briga fenomenal  que sinaliza para o fim da relação entre Marcelo e Renata, essa assiste uma apresentação musical, Marcelo dirige seu carro após ter chorado e Carlos arromba o apartamento de Renata, destruindo objetos e pichando a parede. Posteriormente pede um carro emprestado a um colega de oficina e parte com Exu para os arredores de São Paulo.

Esse que é o  seu primeiro filme em dez anos e primeira incursão ficcional de Sacramento, mais conhecido como montador (de, entre outros, Quanto Vale ou é Por Quilo? e Cronicamente Inviável, ambos de Sérgio Bianchi) padece de vários males que parecem todos, canalizar em direção a uma pretensão grandiloquente de tentar expressar algo sobre a realidade contemporânea brasileira a partir de seus duplamente frágeis personagens – frágeis eles próprios na existência do universo ficcional mas ainda bem pior, frágeis enquanto elaboração ficcional: tão frágeis quanto seus insípidos nomes, que de forma alguma parecem derivar de um mundo real nem tampouco sinalizarem para nenhuma elaboração solidamente alegórica sobre o mesmo. O que resta soa mais como projeções errantes de ideias que não parecem ter ido além do roteiro, tornando-se completamente opacas quando efetivamente encenadas. Assim, de nada adianta ângulos interessantes como o que colhe a briga final entre Marcelo e Renata de longe da janela de seu apartamento ou as boas trucagens visuais que transformam Carlos numa tocha humana ou o Tietê se transformar em um fogo só ao final, tal como uma tocha olímpica, quando a contraparte disso, em termos dramáticos, soa anêmica, esvaziada de qualquer sopro de vitalidade, clichê. Como é o caso do próprio enfrentamento final de Marcelo e Renata –vivida com garra, diga-se de passagem, por Iliescu.  Soçobra pretensão e um exagero excessivo do subjetivo reverberado de forma demasiado literal e crua em imagens, correndo-se o risco de resvalar para o humor involuntário tal como o contemporâneo, irregular, mas ainda melhor Boa Sorte, Meu Amor. Olhos de Cão/Saracura/Tc Filmes. 79 minutos.

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