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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Filme do Dia: Fermo con le Mani! (1937), Gero Zambuto


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Fermo con le Mani! (Itália, 1937). Direção: Gero Zambuto. Rot. Adaptado: Guglielmo Gianini & Gero Zambuto, a partir da obra de Guglielmo Giannini. Fotografia: Otello Martelli. Música: Umberto Mancini. Montagem: Giacinto Solito. Cenografia:  Nino Macarones & Antonio Valente. Com: Totó, Erszi Paal, Franco Coop, Tina Pica, Oreste Bilancia, Miranda Bonansea, Erminio D’Olivo, Alfredo Martinelli.
Sem moradia, desde que sua residência improvisada foi posta a baixo enquanto ele fazia a barba, Totó consegue literalmente fisgar um almoço e quando encontra um local seguro para degustá-lo, encontra uma criança (Bonansea), vítima de maus tratos. Totó passa a cuidar da garota. Ele agora trabalha numa casa de massagistas e se finge de uma para atender uma estrela do teatro de revista, Eva (Paal). O noivo da estrela (Coop) faz um trato para que Totó se faça passar por janota. Esse se entusiasma e ganha a admiração da estrela. Porém, a realidade se torna premente e Totó se contenta com um emprego no teatro de revistas onde a estrela se apresenta. Quando o maestro (D’Olivo) tem um acesso de fúria e abandona o espetáculo, Totó o substitui com grande sucesso e fica sabendo, ao mesmo tempo, que é herdeiro de uma imensa fortuna.

Talvez o que mais resida de interessante, para além das inúmeras limitações e acomodações aos cacoetes típicos de seu gênero, seja a evidente influência do cinema norte-americano e – sobretudo – a desenvoltura com que Totó camaleonicamente se transforma de  classe social, de talentos profissionais e de gênero. Com relação a primeira característica, é mais do que explícita a influência de Chaplin na composição do personagem do vagabundo vivenciada por Totó, aonde os trejeitos típicos a pantomima muda se somam toda a sua virtuosidade no manuseio com os próprios músculos, movendo por exemplo o couro cabeludo de forma impressionante ou imitando um pássaro como uma das primeiras atividades matinais. Para que não reste qualquer dúvida, a própria forma de se vestir, assim como situações claramente evocativas – a garota adotada pelo vagabundo, cópia de Shirley Temple, é uma referência a O Garoto, a cena em que Totó é surpreendido fazendo a barba se assemelha a do vagabundo flagrado na inauguração do monumento em Luzes da Cidade – como até mesmo a forma desajeitada de caminhar e correr, com as pernas arqueadas, testemunhas de uma influência que seria diluída na carreira progressiva do ator, aqui em seu primeiro filme. Alguns elementos estilísticos como o longo plano-seqüência de quase três minutos que abre o filme e o fluente trabalho de câmera poderiam sugerir valores cinematográficos próprios, mas todos eles acabam, em última instância, servindo como veículo para as peripécias de seu protagonista, ele próprio uma figura herdeira do teatro de revistas ao qual o filme faz constante menção, através de um enredo pífio costurado nos moldes dos musicais hollywoodianos, mas que não passa de uma cópia anêmica dos mesmos, no que diz respeito a coreografia e números musicais, exceção feita a surreal escada de um clube noturno grã-fino, que proporciona um momento de composição visual inspirada, novamente com Totó em cena. Destaque para o momento, nada sutil, em que Totó não cabe em si ao observar o corpo nu de Eva e do qual o espectador, evidentemente, somente tem acesso as reações dele. Titanus. 73 minutos.

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