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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Filme do Dia: A Dançarina de Izu (1933), Heinosuke Gosho




A Dançarina de Izu (Koi no Hana Saku Izu no Odoriko, Japão, 1933). Direção: Heinosuke Gosho. Rot. Adaptado: Akira Fushimi, a partir do conto de Yasanuri Kawabata. Fotografia: Jôji Ohara. Música: Mikihiko Nagata. Cenografia: Ryônosuke Akita, Takashi Kanasu & Noburô Kimura. Figurinos: Tami Mitamura. Com: Kinuyo Tanaka, Den Obinata, Tokuji Kobayashi, Kinuko Wakamizu, Eiko Takamatsu, Shizue Hyôdô, Jun Arai, Ryoichi Takeuchi.
Jovem estudante, Mizuhara (Obinata) acompanha uma trupe de atores itinerantes e aos poucos se dá conta que se encontra apaixonado por  Kaoru (Tanaka), dançarina cujo irmão, Eikichi (Kobayashi) havia recebido recentemente uma proposta aparentemente de cedê-la como gueixa para o mestre (Arai) de uma das cidades que passaram. Quando Mizhuhara toca no assunto com o mestre, esse afirma que fora mal compreendido, que o pai dos irmãos havia sido muito amigo dele e que pretendia casar Kaoru com seu filho, Ryûichi (Takeuchi). Mizuhara decide voltar para Tóquio para retomar seus estudos e anuncia sua viagem no mesmo dia em que parte. Eikichi, que também já se encontra enlevada por ele, fica inconsolável. Mizuhara afirma que um futuro feliz lhe espera no casamento com Ryûichi. Seu choro persiste. Por fim, ele afirma que a ama e lhe entrega uma caneta de lembrança, pedindo-lhe um adereço de cabelo.
Curiosamente algumas cartelas surgem a partir da perspectiva do grupo itinerante mas que não é ancorado em nenhum diário ou algo similar, deixando evidente que é uma forma de comunicação  com os próprios espectadores. Ainda que os créditos façam referência ao autor das músicas, essas deviam ser indicadas para serem apresentadas no momento da projeção, já que se trata de uma produção muda. Seu final, melancólico, mesmo que potencialmente sinalizando para um comprometimento futuro a partir das lembranças trocadas – algo como um noivado informal e a sugestão de cartas a serem trocadas – parece na medida e evitando o final feliz convencional, assim como outras produções da época, notadamente Sr. Obrigado, de final bem mais incerto para o casal que pretensamente se anuncia. Seu teor romântico se encontra a anos-luz do realismo menos adocicado do referido filme de Shimizu, que faz constantes referência a crise econômica que assola o país ou do ainda mais crítico Sadao Yamanaka (Humanidade e Balões de Papel).  O estilo floreado e pouco direto de Gosho se reflete, por exemplo, na metragem do filme (enquanto a maior parte da produção contemporânea japonesa se situa entre 60 e 75 minutos) e no vagar com que vai consolidando as situações dramáticas, algo que pode ser incentivado pelo seu gosto por adaptações da literatura.  Aliás, o conto voltou a ser adaptado mais quatro vezes para o cinema em vinte anos (1954-74), sendo a última adaptação como animação. Shochiku Co./Shôchiku Eiga. 94 minutos.


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