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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Filme do Dia: Amarga Esperança (1948), Nicholas Ray


Amarga Esperança (They Live by Night, EUA, 1948). Direção: Nicholas Ray. Rot. Adaptado: Charles Schnee & Nicholas Ray, baseado no romance Thieves Like Us, de Edward Anderson. Fotografia: George E. Diskant. Música: Leigh Harline. Montagem: Sherman Todd. Dir. de arte: Albert S.D’Agostino & Alfred Herman. Cenografia: Darell Silvera & Maurice Yates.  Com: Cathy O`Donnel, Farley Granger, Howard Da Silva, Jay C. Flippen, Helen Craigh, Will Wright, William Phipps.
Três prisioneiros foragidos buscam apoio junto ao velho Mobley (Wright). Eles roubam um banco, conseguindo uma quantia razoável de dinheiro. Com esse dinheiro, o mais jovem deles, Bowie (Granger), enamorado da filha de Mobley, Keechie (O’Donnel), foge com ela. Eles se casam e quando ainda se encontram em lua-de-mel são procurados por Chickamaw, que quer que Bowie participe de outra ação com ele. Este recusa, porém quando volta ao motel onde se estabelece provisoriamente, é reconhecido e parte com Keechie. Complicações na gravidez de Keechie fazem com  Bowie busque apoio de Mattie (Craig), também envolvida com o assalto ao banco, que o delata à polícia. A polícia vai ao motel de Mattie e o assassina.
Mesmo que sua trama não seja exatamente original, antes pelo contrário, Ray, em seu filme de estréia, acrescenta ao menos dois diferenciais importantes. No plano visual, a diferença já se faz sentir nos créditos iniciais, quando a ação propriamente dita é antecedida pelo que mais parece ser um trailer em miniatura e nas imagens que o seguem, filmadas a partir de um ponto de vista de um helicóptero, emprestando um  visual moderno ao filme (dizem ter sido o primeiro plano filmado pelo realizador) e inaugurando uma estratégia visual para cenas de ação – as filmagens aéreas até então se restrigiam ao caráter descritivo dos ambientes; mais importante que isso, talvez, foi sua aproximação maior dos próprios personagens e de sua relação do que propriamente da ação e a dupla de atores principal parece servir perfeitamente aos seus propósitos, com um Granger que empresta uma  dimensão ambivalente e nuançada ao seu criminoso e uma carismática O`Donnel cuja generosa máscara, que substitui a enigmática  do início do filme, antecipa a de Natalie Wood em um filme mais célebre do mesmo realizador,  Juventude Transviada (1955). De fato, em filmes do gênero, habitualmente a relação afetiva não passava de um detalhe. Ao trazê-la para o primeiro plano, Ray pode explorar com maestria o seu talento na direção de atores, apresentando um Bowie durão mas igualmente terno; é mais do que evidente que Keechie soube “ler em seus olhos” esta reserva de ternura já de muito perdida pelos criminosos mais velhos. Enquanto a mística do casal foragido seria recriada, com mais violência  mas com a  herança do carisma de seus anti-heróis por Bonnie & Clyde (1967), Godard certamente percebeu o descaso do realizador com a trama de ação propriamente dita, secundarizando-a de vez em sua também estréia no cinema, Acossado, ao qual não falta a morte de um policial rodoviário em situação bastante semelhante a aqui apresentada. Robert Altman refilmaria o mesmo romance em meados dos anos 70, mantendo o título original. Woody Guthrie teve uma participação não creditada na trilha sonora. RKO Radio Pictures. 95 minutos. 

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