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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Filme do Dia: Nem Tudo é Verdade (1986), Rogério Sganzerla

Nem Tudo é  Verdade (Brasil, 1986). Direção e Rot. Original: Rogério Sganzerla. Fotografia: Edson Batista, Victor Diniz, Carlos Ebert, José Medeiros, Edson Santos, Afonso Viana. Montagem: Severino Dadá & Denise Fontoura. Com: Arrigo Barnabé, Grande Othelo, Helena Ignez, Nina de Paduá, Mariana de Moraes, Vânia Magalhães, Abrahão Farc, Otávio Terceiro.
Os principais episódios que envolvem a passagem do cineasta Orson Welles pelo Brasil são rememorados nesse documentário que mescla as fontes mais diversas para realizar um painel barroco, que muitas vezes procura reproduzir a ambiguidade entre farsa e realidade tão presente nos filmes do cineasta. Entre as fontes utilizadas por Sganzerla existem desde fotografias e filmes de arquivo da época,  entrevistas com contemporâneos da visita do cineasta, como Grande Othelo e menos ortodoxas como cenas do próprio Cidadão Kane e reconstituições ficcionais de um folclórico Welles (Barnabé) em entrevistas coletivas ou chorando o amargor de ver seu projeto fracassado devido a mudança da diretoria da RKO. Igualmente não podem ser esquecidas as canções (tanto da época como contemporâneas) que realizam a função de soldar a vertiginosidade de uma montagem que se caracteriza pelo excesso de informações, ao mesmo tempo que servem, por vezes, como contraponto irônico do que é apresentado (numa função semelhante ao que Back fizera em seu Yndios do Brasil). Mesmo que não explore, em termos ficcionais, o episódio dos jangadeiros, boa parte das cenas documentais destaca a figura dos pescadores, sobretudo Jacaré. Inicia e finda com os mesmos letreiros eletrônicos que pontuam a narrativa de seu Bandido da Luz Vermelha, de quem o cineasta aproveita muito dos cacoetes utilizados aqui. No final, Sganzerla comenta que a época da finalização dessa produção foram descobertos, nos estúdios da Paramount, negativos com trechos do material filmado pelo cineasta (boa parte viria a formar o documentário É Tudo Verdade), contrapondo-se a afirmção de Welles de que o material teria sido jogado fora e apenas reforçando o mote que dá título ao filme. Rogério Sganzerla Produções. 95 minutos.


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