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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Filme do Dia: Romance (1988), Sérgio Bianchi

Romance (Brasil, 1988). Direção: Sérgio Bianchi. Rot. Original: Caio Fernando Abreu, Fernando Coni Campos, Mário Carneiro, Cláudia Maradel, Cristina Santeiro & Suzana Semedo, sob o argumento de Sérgio Bianchi & Eduardo Albuquerque. Fotografia: Marcelo Coutinho, Adrian Cooper, Aloysio Raulino e Paulo Mendes da Rocha. Montagem: Marília Alvim. Dir. de arte: Ruth Alvin & Bronie Lozneaunu. Figurinos: Ruth Levy. Com: Imara Reis,  Hugo Della Santa, Cristina Mutarelli, Isa Kopelman, Rodrigo Santiago, Beatriz Segall, Emílio Di Biasi, Elke Maravilha.
Regina (Reis) se torna uma obsessiva pesquisadora da obra do recentemente falecido intelectual Antônio César (Santiago), morto misteriorsamente. A pesquisa a leva a Curitiba, onde César morava quando morreu e as pressões de um corrupto político (Mamberti), que provoca um pequeno atentado contra Regina. Enquanto isso, amigos próximos de César vivenciam seu drama de forma desesperada. Fernanda  (Kopelman), ex-amante e o homessexual com quem vivia, André (Santa). Fernanda acaba optando pelo suicídio e André, portador do vírus  HIV, procura sem sucesso restringir sua sexualidade à masturbação. Ao contrário da opção trágica da amiga, Regina prefere aceitar a cooptação do político e se transformar na principal responsável por um espaço cultural destinado à obra de César.
Segundo longa de Bianchi, que não consegue a dinâmica e o impacto de seu média metragem documental anterior, Mato Eles? nem resolver de melhor maneira muito do que tematiza aqui e em seu posterior longa Cronicamente Inviável (2000). Nesse sentido, o olhar pretensamente ácido do cineasta com relação à sociedade brasileira é prejudicado por fatores vários, que vão desde a risivelmente caricata caracterização do intelectual de esquerda (que, utilizando-se do batido mote de Cidadão Kane, irá tentar ser revivido pela pesquisadora) até a precária direção de atores e uma busca de um certo apuro visual extremamente kitsch, bastante comum na produção paulistana da década. Tampouco a visão política do filme, um tanto quanto ingênua e esquemática (voltará a ser retrabalhada de modo mais sofisticado em Cronicamente Inviável) demonstra ser interessante. Existe uma certa dispersão narrativa, com a presença de personagens certamente dispensáveis, como a companheira de apartamento de Regina.  A pletora de cacoetes de um certo cinema modernista, que inclui uma cena em que o próprio Bianchi desanca com a atriz que desanca na diegese com um garçom, apenas demonstra algo de interessante quando incorpora em meio à narrativa um pequeno documentário que segue em tom implicitamente irônico (uma voz grave, estilo dos documentários realizados à época do auge do regime militar) sobre uma experiência de auto-gestão de uma fazenda por agricultores pobres, evocando de maneira mais sutil o que Jorge Furtado, igualmente utilizando humor e problemática social, faria em seu curta Ilha das Flores (1989). Embrafilme. 103 minutos, embora exista uma versão de 90.

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