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domingo, 13 de abril de 2014

Meu Caro Diário, 12/05/2004

 quarta – encontrei Jakson e Dark hoje no terminal rodoviário. Estava me sentindo cansado e meio estressado com o trânsito lesma da USP até a Paulista, onde tinha que devolver um livro na biblioteca da FIESP. Depois peguei um metrô e, pela primeira vez – infelizmente – sem o meu passe gratuito, que tragédia! Foi bom falar com eles, estar com eles. Senti Dark mas desprendida. Eles embarcaram para Bariloche. Fiquei com inveja mais da (sic) viajem em si que propriamente da relação deles. Acho que já vivenciei algo semelhante e não sinto a menor nostalgia, pelo menos no momento. Hoje teve aula de Ismail e ele foi novamente brilhante fazendo uma análise de São Bernardo. No final da aula, no meio do assédio generalizado, fiz uma pergunta e ele me respondeu de forma tão simpática, ele é a simpatia em pessoa. O meu amigo gay, André, estava arrasado, pois seu gato, companheiro de oito anos, teve que ser sacrificado hoje. Consegui me desvencilhar dele hoje com uma certa sinceridade, já que pensava realmente em almoçar no bandejão, mas nada feito. Somente para os alunos da USP. Visitantes pagam cinco reais. Acabei indo no restaurante do centro de convivência lá próximo que foi o primeiro lugar que almocei na USP e almocei por três paus e pouco. I´m so tired, i donno what to do. I´m so tired, i´m feeling so upset. Amanhã sonho em dar processo a minha nova identidade. No metrô que voltava um cara me encarou com uma fixidez que nunca vi por aqui. No início fiquei na dúvida se era aborrecimento por ter olhado para ele ou paquera mesmo. Acho que era a segunda opção. Quase chorei, meus olhos ficaram marejados e nada dele desviar seu olhar. Só me lembrei, para variar, da técnica de dinâmica de grupo (o nome naquela época era bem outro mas não saberia dizer) que a Lygia Clarke fazia com os estudantes que fez com que um jovem africano conseguisse encarar as pessoas no metrô. Estou com tanta vontade de acessar a Internet, ver mails, procurar informações, mandar mails, falar no telefone com Firmino, que me ligou segundo o registro, mas o idiota do Josué está ao telefone há um tempo incomensurável. Jakson me emprestou 50 paus. Achei meio louco a proposta, mas acabei aceitando e vindo com a nota no bolso. Ele me disse que Paulo Monteiro descobriu sua verdadeira vocação: ser diplomata.

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