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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Filme do Dia: A Acusada (1948), William Dieterle


A Acusada (The Accused, EUA, 1948). Direção: William Dieterle. Rot. Adaptado: Ketti Frings, baseado no romance Be Still, My Love, de June Truesdell. Fotografia: Milton R. Krasner. Música: Victor Young. Montagem: Warren Low. Dir. de arte: Hans Dreier & A. Earl Hedrick. Cenografia: Sam Comer & Grace Gregory. Figurinos: Edith Head. Com: Loretta Young, Robert Cummings, Wendell Corey, Sam Jaffe, Douglas Dick, Suzanne Dalbert, Sara Algood, Mickey Knox.
         Em Los Angleles, professora de psicologia sexualmente retraída, Wilma Tuttle (Young), vê-se acossada por um jovem impetuoso de sua sala, Bill Perry (Dick). Após uma aula, Bill leva Wilma até a praia de Malibu onde, depois de uma refeição rápida, desvia o carro da rota e a leva para o local onde nadava, um perigoso despenhadeiro. Após tentar violentá-la e ser morto por Wilma, que joga o cadáver no mar, simulando suicídio, Wilma retorna e consegue carona de um caminhoneiro. Estressada e doente, logo quando sai do hospital comparece ao enterro de Bill, onde volta a manter contato com Warren Ford (Cummings), que iria ser o futuro orientador do garoto. Atraído por Wilma e advogado, Warren passa a investigar por sua conta. Pressionando a Polícia para não arquivar prematuramente o caso, Warren encontra evidências de assassinato. Enquanto o investigador Dorgan (Corey) pressiona a ex-namorada grávida de Bill, Susan Duval (Dalbert), o caminhoneiro não consegue identificar nem Wilma nem Susan como a carona do dia do crime. A prova que Bill fizera no dia fatidíco começa a despertar a desconfiança de Dorgan sobre Wilma, que apenas aumenta com a reação nervosa da mesma aos comentários de um perito policial, Dr. Romley (Jaffe) e que praticamente se confirma numa inesperada reconstituição do crime, que ocorre um dia após Warren casar com Wilma e no mesmo dia que partiriam para San Francisco. Como advogado de defesa de Wilma, Warren aparentemente consegue impressionar os jurados.
     Esse  noir típico tanto no conteúdo quanto na forma (o prólogo inicia com Wilma confusa na estrada e só depois que a protagonista encontra-se em casa é que um flashback reconstitui tudo que ocorrera até então) consegue sustentar o interesse do início ao final. A misoginia, elemento recorrente do gênero, surge a todo momento, seja na fala do caminhoneiro, nas galhofas particulares entre Warren e Dorgan  ou no interesse do último por Wilma. Demonstra-se mais ousado que a média dos filmes americanos de então, ao apresentar – mesmo que secundariamente – a gravidez de uma jovem solteira e uma tentativa de estupro. Também acima da média, é a utilização de psicologismos, outra coqueluche da época, contemporânea da popularização das teorias freudianas na América do Norte. Ainda assim, os habituais excessos são cometidos, como quando a protagonista assiste a uma luta de boxe ou reage com violência ao boneco que simula Bill. Jaffe, um dos melhores coadjuvantes de Hollywood, faz mais um de seus habituais papéis de professor ou doutor excêntrico. Dieterle geralmente dirigia filmes com forte veia romântica e distante do cinismo característico do universo noir. Paramount. 101 minutos.

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