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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Filme do Dia: As Cariocas (1966), Fernando de Barros, Walter Hugo Khouri & Roberto Santos


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As Cariocas (Brasil, 1966). Direção: Fernando de Barros, Walter Hugo Khouri & Roberto Santos. Roteiro: Sérgio Porto & Roberto Santos. Música: Rogério Duprat. Montagem: Maria Guadalupe. Com: Norma Bengell, John Herbert, Walter Foster, Sérgio Hingst, Célia Biar, Íris Bruzzi, Lilian Lemmertz, Jacqueline Myrna, Mário Benvenutti.
1º episódio. Paula (Bengell), fútil mulher da elite carioca, decide como conseguir o carro de seus sonhos, dos quais só existem dois exemplares no país, sendo um da esposa (Biar) de seu amante. Ela conhece o proprietário do outro carro, Cid (Herbert), um playboy inconseqüente. Pede para que o marido dê um preço muito menor que o valor do carro e o restante seja completado pelo amante. Porém, o plano não se concretiza, quando o marido decide dar o carro de presente para sua amante que é noiva de Cid. 2º episódio. Um dia na vida de uma jovem classe média, que angustia-se entre a solidão e o tédio, passando a maior parte do tempo sem o marido, sempre viajando à trabalho e visitando o amante adoecido. 3º episódio. Jovem modelo promissora relembra, em um estúdio de televisão, suas pontas no cinema e televisão, enquanto rebela-se contra o que acredita ser a hipocrisia do programa televisivo e da população que danificou seu carro após um conflito que culminou em sua tentativa de fazer strip-tease diante da pequena multidão.
O filme parte do mais fraco para o melhor episódio. O primeiro possui contra si o fato de contaminar-se pelo tom caricatural e ligeiro com que apresenta seus próprios personagens, com intuito de frisar a promiscuidade sexual generalizada da elite nacional (uma das obsessões do Cinema Novo). O segundo tenta construir uma atmsfera psicológica de vazio existencial à la Antonioni, utilizando-se de tempos mortos e pouca dependência de diálogos. Porém, o seu curto tempo não permite que essa construção seja plenamente satisfatória, assim como a utilização de cacoetes de estilo que, em visão retrospectiva, não parecem ir além disso (um breve plano da protagonista na cama, por exemplo, é repetido quatro vezes). Já o terceiro, é uma engenhosa paródia da hipocrisia moral da sociedade de então e de sua mídia, utilizando-se de recursos como a imagem dentro da imagem (acompanhamos boa parte do que acontece através dos monitores de estúdio), fotos fixas, imagens de arquivo (novela da TV Globo O Xeique de Agadir) e referência a alguns dos astros da chanchada (Zezé Macedo, Ankito e José Lewgoy aparecem em uma ponta, como eles mesmos). Seu tom paródico e auto-referencial (a certo momento, o apresentador indaga se a atriz não fora descoberta pelos cineastas do Cinema Novo) antecipa muito do humor e da ironia do cinema marginal, em filmes como O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Sganzerla. No prólogo, um narrador enfatiza alguns clichês associados ao Rio, como o futebol, as praias e a preguiça. Wallfiles/A.A.S Filmes. 110 minutos.


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