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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Filme do Dia: Um Filme para Nick (1980), Wim Wenders & Nicholas Ray


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Um Filme para Nick (Lightning Over Water/Nick’s Film, Suécia/Al.Ocidental, 1980). Direção e Rot. Original: Wim Wenders & Nicholas Ray. Fotografia: Edward Lachman & Martin Schafer. Música: Ronee Blakley. Montagem: Peter Pryzgodda & Wim Wenders.

Enquanto filmava Hammett, Wenders viaja para Nova York para conversar com Nicholas Ray, que agoniza de um câncer no pulmão e sabe que não viverá muito. Ray discute uma proposta estapafúrdia de roteiro a ser filmada por Wenders – um pintor moribundo decide partir para a China onde encontrará a cura para o seu mal - inconcebível no estado de saúde ao qual se encontra. Nesse documentário abertamente encenado – a determinado momento, Wenders dirige Ray diante da câmera, a noção entre encenação e realidade é a todo momento posta em jogo, ao ponto de se perceber que tudo é encenação, inclusive as ações sociais. Um dos primeiros filmes de um realizador mais conhecido a mesclar abertamente imagens em vídeo com material filmado em película, pretende fazer uso da primeira como registro dos bastidores enquanto a segunda, demasiado bem enquadrada e polida, provoca certo estranhamento ao ser utilizada para um tema documental, como é o caso das cenas no loft de Ray. Uma das obsessões de Wenders no momento (que motivaria o seu posterior Quarto 666), que é o fim do cinema como era então conhecido se soma aqui a morte de determinado cinema e de um de seus realizadores típicos. E o filme não desperdiça a chance de flagrar, a partir de uma caravela aparentemente deserta no Rio Hudson, um jarro com as cinzas do realizador e uma câmera a esmo. Ray, que toma a decisão de interromper o próprio filme, com o “corta” para a câmera, já se encontra morto. E é nesse epílogo que se constata que tal filme retrata um Wenders a meio a caminho entre suas produções seminais da mesma década (Alice nas Cidades, No Decorrer do Tempo) e o pastiche tedioso, pouco pessoal ou tocante ao qual se encaminhou a maior parte do que produziu posteriormente, com algumas raras exceções (Paris, Texas  e Asas do Desejo). Nesse sentido, o que havia se construído como uma tocante homenagem, incluindo generosas cenas de produções dirigidas pelo próprio Ray, como um filme experimental, realizado com os estudantes da universidade onde passou a dar aulas ou seu clássico Paixão de Bravo (1952),  conta com um epilogo pouco inspirado, em que a própria equipe do filme, à guisa de outro final melhor, fala bobagens e procura fazer piada com a própria situação, aparentemente dentro da “caravela” que circula pelas proximidades de Nova York.Existe uma versão mais longa (116 minutos), exibida no Festival de Cannes, que seria reeditada pelo próprio Wenders.  Road Movies Filmproduktion//Viking Film/Wim Wenders Filmproduktion.  91 minutos.

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