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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Filme do Dia: Um Dia Muito Especial (1977), Ettore Scola

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Um Dia Muito Especial (Una Giornata Particolare, Itália/Canadá, 1977) Direção: Ettore Scola. Rot.Original: Maurizio Costanzo, Ruggero Maccari & Ettore Scola. Fotografia: Pasqualino De Santis. Música: Armando Trovajoli. Montagem: Raimondo Crociani. Com: Sophia Loren, Marcello Mastroianni, John Vernon, Françoise Berd,  Nicole Magny, Patrizia Basso, Antonio Garibaldi, Alessandra Mussolini.
           Mulher de classe média baixa, Antonietta (Loren) acorda marido e seis filhos, ajuda-os a se arrumarem para o importante dia: o encontro entre Hitler e Mussolini. Ela não vai porque tem que fazer faxina na casa. No entanto, seu pássaro de estimação foge e voa para outro bloco. Antonietta vai até o apartamento de Gabrielle (Mastroianni), e pede-lhe para usar a janela de seu apartamento para poder recuperar o pássaro. Gabrielle, no entanto, passa por uma série crise depressiva, e a chegada de Antonietta o desviou de pensamentos mórbidos. Aliviado e eufórico, oferece-lhe café e uma brochura de Os Três Mosquiteiros. Um pouco assustada com o nível de intimidade que Gabrielle lhe dispensa e, ao mesmo tempo, fortemente atraída, Antonietta volta a  seu apartamento. Gabrielle vai até lá, sob o pretexto de que ela esquecera a brochura e que quer tomar um café. A faxineira do apartamento (Bered), fofoqueira costumaz, avisa Antonietta que Gabrielle é um subversivo e efeminado. Locutor de rádio, Gabrielle conta a Antonietta que fora expulso da rádio porque os fascistas não gostavam da sua voz. Acompanhando as tarefas domésticas de Antonietta, quando esta retira a roupa do varal, no teto do apartamento, ele a agarra. Após hesistar, Antonietta beija-o e confessando sua atração, avança sem encontrar ressistência nem retorno em suas carícias. Gabrielle lhe conta a verdade sobre sua homossexualidade, real motivo porque fora mandado embora de seu emprego. Esbofoteado por Antonietta, ela segue-o transtornada até seu apartamento com insultos de como ele era ignorante e afirmando a plenos pulmões sua homossexualidade. Quando retorna ao seu apartamento e prepara uma omelete, recebe a visita de Antonietta, que pede desculpas pelo acontecido. Diz não se importar com sua opção. Conta-lhe sobre a indiferença de um marido que a traía compulsivamente. Acabam fazendo amor. Porém a reunião fascista terminou e as famílias voltam ao condomínio. Antonietta retorna ao seu apartamento. Enquanto prepara o jantar, fica de olho na janela do apartamento de Gabrielle. Este, acaba sendo intimado pela polícia fascista, e retirando-se do apartamento, enquanto Antonietta esboça uma leitura de Os Três Mosquiteiros na cozinha.

              Aproximando-se mais, em sua forma concentrada, do conto ou da crônica como eqüivalente literário, assim como da peça teatral (como na utilização constante do som off que apresenta o discurso fascista), do que do romance, o filme de Scola se desenrola do começo ao fim no condomínio onde vivem os protagonistas e em um único dia. Nem por tal motivo se torna cansativo. Apoiado nas magníficas interpretações de Loren e Mastroianni, na bela fotografia em tons pastéis de De Santis e na elegante fluidez visual, consegue ser tocante no retrato de uma mulher que passa a questionar sua existência a partir de um acontecimento insólito, ainda que a conscientização se apresente de forma muito rápida para que soe verossímil. Canafox/Compagnia Cinematográfica Champion. 105 minutos.

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