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domingo, 21 de maio de 2017

Filme do Dia: A Pequena Loja da Rua Principal (1965), Ján Kádar & Elmar Klos

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A Pequena Loja da Rua Principal (Obchod na Korze, Tchecoslováquia, 1965). Direçao: Ján Kádar & Elmar Klos. Rot. Original: Ján Kadar, Elmar Klos & Ladislav Grosman. Fotografia: Vladimir Novotný. Música: Zdenek Liska. Montagem: Diana Heringova & Jaromír Janácek. Dir. de arte: Karel Skvor. Cenografia: Frantisek Straka. Fiogurinos: Marie Rosenfelderova. Com: Josef Kroner, Ida Kamisnka, Hana Slivková, Martin Hollý, Adám Matejka, Frantizek Zvarik, Mikulas Ladizinsky, Martin Gregor.
Antonin Brtko (Kroner), mais conhecido como Tono, é um homem frustrado e desempregado, que teve seus bens apossados pelo cunhado Mark (Zvarik), liderança entre os fascistas numa pequena cidade tcheca à época da Segunda Guerra e vivendo com uma mulher, Evelyn (Slivková) que apenas se interessa pela ascensão social. A oportunidade parece se oferecer quando Mark propõe a Brtko que tome conta de uma loja de uma velha senhora judia, Rozalie (Kaminska), seguindo o decreto de desapropriação dos estabelecimentos judeus. A própria Rozalie, quase surda, não compreende a situação e acredita que Brtko será um ajudante para a loja. Brtko descobre que, na verdade, fora vítima de uma farsa, quando fica sabendo que a loja praticamente era fantasma, não possuindo praticamente qualquer mercadoria, e que Rozalie era, na verdade, auxiliada financeiramente pelos judeus mais ricos. Toda a situação se torna fora de controle, quando todos os judeus da cidade são convocados a partir para “os campos de trabalho”. Brtko procura, de toda maneira, ocultar Rozalie, que não chegou a ser convocada e, após pensar em entregá-la às autoridades, para poder não ser considerado traidor, acidentalmente a mata quando a prende no quarto. Ao descobrir o que fizera, comete o suicídio.

Mesmo que não seja uma obra-prima, o filme da dupla (sendo Kádar uma importante referência no cinema do Leste Europeu que emigrou para os EUA em 1968, onde seguiu uma carreira sem brilho até sua morte, em 1979), o filme consegue uma mescla entre drama e comédia que se torna bem mais interessante que as comédias recentes que procuram abordar o tema (como é o caso de Trem da Vida e A Vida é Bela). Embora, muito do elemento cômico igualmente advenha do fato da velha senhora não saber o que anda ocorrendo, o filme avança no terreno cada vez mais dramático da opressão aos judeus, sem tentar mascarar a história por algumas boas gags. Pelo contrário, leva ao centro de sua própria narrativa o drama de consciência de um homem que, mesmo longe de simpatizar com a ideologia nazista, se rendeu a possibilidade de enriquecimento, que há tanto tempo era pressionado por sua mulher (que é retratada do modo mais mesquinho possível). O que o filme parece apontar é que não há possibilidade de neutralidade em situações tão conflitantes como a que se desenvolve, ao mesmo tempo se afastando de uma visão heróica do seu protagonista, observado-o mais sob a chave do patético e do cotidiano, atenuando uma visão maniqueísta de apelo imediato. Inova igualmente em relação a maior parte da produção feita até então  ao partir do ponto de vista de um não judeu e igualmente por evitar o exclusivo tom sério-dramático na abordagem do tema. Desenvolvendo um estilo narrativo mais clássico que seus colegas da Nova Vlná, o filme incorpora duas seqüências de delírio do progatonista, uma delas fechando o filme, quando os dois já se encontram mortos, e atravessam a praça numa situação de júbilo e trajando roupas de gala. Por sua carismática interpretação, Kaminska se tornou parte de um seleto grupo de atrizes de origem não anglo-saxã a serem indicadas ao Oscar, sendo o filme vencedor na categoria de língua estrangeira. Filmové Studio Barrandov. 128 minutos.

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