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domingo, 7 de maio de 2017

Filme do Dia: Foxy Brown (1974), Jack Hill


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Foxy Brown (EUA, 1974). Direção e Rot. Original: Jack Hill. Fotografia: Brick Marquad. Música: Willie Hutch. Montagem: Chuck McClelland. Com: Pam Grier, Antonio Fargas, Peter Brown, Terry Carter, Kathryn Loder, Harry Holcombe, Sid Haig, Juanita Brown.

A voluptuosa Foxy Brown (Grier) decide se passer por prostituta, como forma de vingar o namorado, o agente federal Michael Anderson (Carter), assassinado mesmo após se submeter a uma cirurgia plástica para mudar seu rosto, por conta de seu combate ao narcotráfico. Seu delator foi o próprio irmão de Foxy, o traficante Link Brown (Fargas). A grande interessada em estender sua corrupção junto a juízes, em defesa dos traficantes, é  a mafiosa Katherine Wall (Loder), que tem como amante de estimação, Steve Elias (Brown). Foxy, com ajuda de uma prostituta, Claudia (Brown), destrata e ridiculariza o juiz Fenton (Holcombe),fazendo com que esse condene os traficantes e com que Katherine fique de olho em Foxy. Capturada quando tentava fugir com Claudia, Foxy é enviada a um rancho, onde é sistematicamente drogada e estuprada por dois viciados. Ela se vinga de ambos, quando consegue se libertar e fica sabendo da morte do irmão, assassinado pelos capangas de Katherine. Conseguindo convencer os militantes do movimento negro, ela arma uma emboscada na qual mata boa parte dos líderes do tráfico, castrando Elias e levando seus genitais como presente para Katherine. Ela se recusa a matar Katherine, para que ela sobreviva, como ela, à própria dor de ter tido seus entes queridos mortos por ela.

Não se pode falar exatamente de sutiliza nesse clássico do cinema “black explotation” que já nos seus extravagantes créditos iniciais, apresenta sua proximidade com os seriados televisivos rotineiros, apimentados com algumas doses superficiais de sexualidade (em parte cômica, representada pelo momento em que Foxy é flagrada pela enfermeira fazendo sexo com seu amante), militância política e feminismo. Não se busca densidade psicológica e tampouco motivações verossímeis. E se abusa dos clichês. Assim, A vilã vivida por Lodera surge ao primeiro plano, apenas através de seu braço e da piteira, assim como o grupo politizado rapidamente se rende ao plano de vingança de Foxy após uma ou duas frases emocionadas da mesma. Talvez sua vitalidade espontânea e diretamente voltada para os imperativos comerciais imediatos seja o que tenha despertado a admiração de Tarantino por essa produção de forma semelhante a que Godard, guardadas as devidas proporções, havia tido em relação ao filme B norte-americano no início de sua carreira. Tarantino não apenas inclui um diálogo em que o nome de Pam Grier vem à tona, como realizaria Jackie Brown, com a própria Grier. No seu afã de conquistar um público em busca de ação e sexo, o filme finda por, ironicamente, reforçar alguns dos estereótipos que aparentemente pretendia contestar, sobretudo no que diz respeito a figura feminina negra enquanto objeto de furor sexual, assim como apresentando situações que não possuem qualquer motivação narrativa, como a de Claudia no bar lésbico. AIP. 94 minutos.

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