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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Filme do Dia: Povoado Number One (2006), Rabah Ameur-Zaïmeche



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Povoado Number One (Bled Number One, Argélia/França, 2006). Direção: Rabah Ameur- Zaïmeche. Rot.Original: Rabah Ameur- Zaïmeche & Louise Thermes. Fotografia: Lionel Sautier, Hakim Si Ahmed & Olivier Smitarello. Música: Rudolph Burger. Montagem: Nicolas Bancilhon. Figurinos: Sabrina Chenti. Com: Meryen Serbah, Abel Jafri, Rabah Ameur-Zaïmeche, Meriem Ameur-Zaïmeche, Larkden Ameur-Zaïmeche, Soher Ameur-Zaïmeche, Farida Ouchani, Ramzi Bedia.

Kamel (Rabah Ameur-Zaïmeche) é um jovem que retorna para a Argélia após uma temporada na França. Enquanto isso, Louisa (Serbah) é espancada e desprezada pelo marido, e tem seu filho pequeno furtado de seu convívio, por querer seguir uma carreira como cantora. No mesmo dia que é expulsa do carro pelo marido, apanha também do irmão Bouzid (Jafri). Indignado com o que aconteceu Kamel, que se encontra interessado em Louisa, quase chega as vias de fato com Bouzid.

Visualmente mais próximo do documentário que da ficção, relação que flutua de acordo com as equivalentes flutuações entre a ação dramática e a observação de fatos do cotidiano, sem dúvida o maior trunfo desse filme é justamente lançar certas situações potencialmente dramáticas, que não chega a de fato entrarem em choque, quanto mais se resolverem. Tudo leva a crer que será inescapável o momento em que Kamel se chocará de vez com uma sociedade profundamente machista e onde parece inexistir a autoridade oficial de um Estado nem que fajutamente impessoal, a população ficando à mercê de pequenas milícias de jovens violentos. De todas as tensões que impregnam o cotidiano, inclusive a da eminência de Kamel viver uma relação de fato com Louisa, as únicas que realmente possuem um enfrentamento, por sinal covarde e desigual, são direcionadas a Louisa. A observação próxima de documental que impregna o filme tende a se adequar ao seu modelo que ao apresentar seus personagens em momentos esparsos, recusa-se a fazer o encadeamento fechado a partir das ações dos mesmos. Ao deslocar o seu eixo de interesse para o retorno do emigrado, algo relativamente pouco comum, ao mesmo tempo Ameur-Zaïmeche apresenta a França menos como o lugar de difícil adaptação do que como a detentora de uma moral mais justa e humanista que tocará e transformará até aqueles mesmos que por lá apenas ficaram por certo tempo. O delicado e bem resolvido momento em que Louisa canta para Kamel não chega a se repetir na seqüência em que canta no hospital psiquiátrico onde se encontra internada. O fato de contar com boa parte da família do realizador no elenco e  filmado de forma quase amadora , ao menos quando se compara com a produção profissional contemporânea, inclusive brasileira, só tende a acrescentar.Sarrazink Prod./CNC/Les Films du Losange para Les Films du Losange.  100 minutos.

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