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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Filme do Dia: Sobre Susan Sontag (2014), Nancy D.Kates

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Sobre Susan Sontag (Regarding Susan Sontag, EUA, 2014). Direção: Nancy D. Kates. Rot. Original: Nancy D. Kates & John Haptas. Fotografia: Sophia E. Constantinou. Montagem: John Haptas.

Documentário que, dentro dos limites de um produto produzido para a televisão, pretende fazer uma espécie de história intimista sobre uma das mais charmosas personalidades do mundo intelectual norte-americano da segunda metade do século XX. Sontag surge em entrevistas de arquivo, em depoimentos de pessoas próximas, amigos & amantes, assim como seu filho. Sua curiosidade “promíscua” por querer tudo conhecer, seus três cânceres, o último deles fatal, sua preocupação com o excesso de imagens e a tendência a banalização de tudo o que apresentam,  suas visitas a regiões de guerra (no Vietnã, recebendo flores do governo comunista), sua dolorosa separação do primeiro marido após a estadia na França, o alívio de deixar de usar o seu nome de nascimento, Rosenblatt, explicitamente judeu, substituído por Sontag, sobrenome de um novo companheiro da mãe,  sua postura firme de contraposição ao discurso defendido pelo status quo logo após os atentados ao WTC em um bate-boca ao vivo na TV. Seu comportamento, enfim, da profissional intelectual que tem que se posicionar diante do que ocorre no mundo, mantendo a distância sua vida privada e seus diversos envolvimentos, sobretudo  com mulheres, devidamente discriminados pelo documentário, o último deles com a fotógrafa Annie Leibovitz.  Seu feminismo desenraizado. Seu temor, ao final da vida, da transitoriedade da mesma e do gradual apagamento de si própria e dos rastros que deixara pela Terra e sua convicção de ser a ficção narrativa a única que perdura, gênero que ensaia algumas publicações em sua fase final, distantes de terem caído no agrado completo da crítica. Longe de ser destituído de interesse, tampouco evita saídas estéticas algo espúrias, não muito distantes inclusive do camp que Sontag pioneiramente abordou, como a da sua irritante e quase onipresente trilha sonora. Trata-se, a seu modo, de uma hagiografia, porém uma hagiografia que parte de um ponto de vista íntimo da própria Sontag, guiado sobretudo pelo que foi escrito em seus diários (com narração de Patricia Clarkson) ao longo de boa parte de sua vida. Uma das poucas surpresas para os que não são demasiado versados em Sontag para além de seus ensaios mais célebres é a descoberta igualmente da existência de um Sontag cineasta bissexta, lembrada aqui por sua experimental produção sueca movida por sua admiração por Bergman e realizada pouco após Persona, embora com um estilo de produção bastante peculiar em Dueto para Canibais (1969) ou o documentário que realizou em Israel após a Guerra Árabe-Israelense de 1973. E, tão ou mais surpreendente talvez, sua participação como extra em uma produção dos idos da Nouvelle Vague, quando morava em Paris. As poucas vozes que não se dobram completamente a mera descrição “neutra” de seus contatos com Sontag ou dos elogios irrestritos são os de sua irmã, que afirma que quando indagada se havia algo a ser dito com relação ao que ela deixara a desejar, a irmã retruca posteriormente que diz respeito a ela nunca ter sido honesta com ela a respeito de si própria e não ter comparecido ao seu casamento e uma ex-amante que afirma que quando ela se encontrava com personalidades nunca a apresentava às mesmas, deixando-a deslocada e sem graça, complementando com a afirmação de ser ela incapaz de ter uma percepção sensível do outro, de não ser uma pessoa sensível.  Question Why Films. 100 minutos.

2 comentários:

  1. Não conheço. Verei se encontro no Youtube.

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  2. caso não encontre o torrente dele está disponível em alguns sites. Não lembro agora se o baixei do Making Off, mas acredito que sim.

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