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domingo, 28 de maio de 2017

Filme do Dia: Edifício Master (2002). Eduardo Coutinho


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Edifício Master (Brasil, 2002). Direção: Eduardo Coutinho. fotografia: Jacques Cheuiche. montagem: Jordana Berg.

No condomínio-titulo, situado em Copacabana,  o documentário apresenta uma rica e variada diversidade de tipos humanos que falam sobre aspectos de suas vidas, assim como descrevem como é viver no bairro. Procurando centralizar todas as atrações para as narrativas dos moradores, o cineasta tenta afastar-se de qualquer outro elemento, seja a trilha sonora ou efeitos rebuscados de montagem. O resultado, entre cômico e trágico, catártico ou calculado, sempre é marcado pelo humano e universal que está reproduzido nas falas mais diversas. De uma senhora que relembra a época “barra pesada” do prédio ao porteiro, que sonha constantemente com o pai adotivo que acredita ser seu verdadeiro pai, da sociofobica que não consegue encarar a câmera ao aposentado que delira emocionado ao som de My Way, do ex-tecnico de futebol que caiu no ostracismo ao tirar a roupa em protesto à prostituta que afirma que, diante das misérias do mundo, a sua profissão é um mero detalhe sem importância, os depoimentos são marcados pela expressividade dos depoentes e sua capacidade de narrarem. Fragmentos de vida compõem um mosaico, permeado tanto pela esperança, bom humor e solidariedade como – e principalmente – solidão e amargura. Pontuando a narrativa com cenas dos corredores do edifício e as abordagens junto aos entrevistados, finaliza com cenas do cotidiano do edifício em frente, numa referencia a Janela Indiscreta. Mesmo que Coutinho tenha afirmado a necessária prevalência do mesmo espaço-tempo para a captação de momentos irrecuperáveis – como e o caso do longo plano em que o senhor faz um dueto com Frank Sinatra – estes momentos, no resultado final,  são mais exceção que regra, já que os cortes abruptos estão presentes em quase todos os depoimentos. Sua aproximação dos valores, sonhos e frustrações de um setor da classe media, mesmo que visualmente menos instigante que o efetivado por Jabor em Opinião Publica, é menos manipulativo e redutor. Videofilmes. 110 minutos.


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