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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Filme do Dia: O Sol (2005), Aleksandr Sokurov

O Sol (Solntse, Rússia/França/Itália/Suiça, 2005). Direção: Aleksandr Sokurov. Rot. Original: Yuri Arabov. Fotografia: Aleksandr Sokurov. Música: Andrei Sigle. Montagem: Sergei Ivanov. Dir. de arte: Yelena Zhukova. Com: Issei Ogata, Robert Dawson, Kaori Momoi, Shirô Sano, Shinmei Tsuji, Taijiro Tamura, Georgi Pitskhelauri, Hiroya Morita.
O imperador Hiroíto (Ogata), com o país completamente dominado pelos americanos, decide sair do Palácio Imperial e encontrar o General MacArthur (Dawson), reunião que tem como principal motivo uma declaração sua de que não é um ser divino.
Utilizando a mesma estratégia (bastidores da história com H, tematizando as tensões da intimidade em um momento de crise) de seus outros filmes históricos (Arca Russa, Moloch), Sokurov consegue aqui,  ser mais bem sucedido. De fato, a contraposição caricata entre as minúncias ritualísticas que cercam o imperador – com toda a sua lógica intrínseca e complexa – e a vulgar objetividade americana na figura de MacArthur e dos fotógrafos do exército americano consegue criar uma situação anedótica mais interessante que as de Moloch. Porém, mais que isso, o que torna o filme deveras interessante é a própria personagem que o protagoniza, que aceita as exigências de negar sua autoridade divina com a alegria pueril de quem se liberta de um fardo centenário. Constrangimento e aflição que é flagrada no seu cotidiano, com seu séquito de serviçais dipostos a vestir e despir cada peça de seu vestuário e observar cada passo de sua trajetória. Ou ainda quando se vê confrontado com um porta-voz da ciência, disciplina ao qual possui um interesse desinteressado, aceitando sem maiores objeções a observação do cientista de que a aurora boreal relatada por seu avô não passava de uma licença poética do mesmo. Cena que traduz brevemente tanto a tensão de um cientista em avançar no território sagrado – a palavra de um imperador – quanto o próprio embate entre uma verdade peculiar associada à sua família e a verdade intransigente e universal da ciência na mente de Hiroíto. Com fotografia e direção de arte impecáveis como habitualmente, o filme também enfatiza os tiques de seu protagonista (tal como Moloch). Destaque para a representação cenográfica de uma batalha aérea em que os efeitos especias são menos instigadores de um realismo a serviço de uma narrativa fantástica ou não que de uma tradução poética de um pesadelo do protagonista, evocando particularmente uma célebre seqüência do Fausto (1926), de Murnau. Terceira parte de uma pretensa tetralogia que inclui ainda os já realizados Taurus e Moloch. CNC/CTC/Downtown Pictures/Instituto Luce/Lenfilm Studio/MACT Productions/Network/Nikola Film/Proline Film/Rai Cinema/Riforma Films/Russian Federation of Cinematography. 115 minutos.

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