Filme do Dia: Nyad (2023), Jimmy Chin & Elizabeth Chai Vasarhelyi
Nyad (EUA,
2023). Direção Jimmy Chin & Elizabeth Chai Vasarhelyi. Rot. Adaptado Julia
Cox, a partir do livro Find a Way, de Diana Nyad. Fotografia Claudio
Miranda. Música Alexandre Desplatt. Montagem Christopher Tellefsen. Dir. de
arte Kara Lindstrom, Elizabeth Boller & María Fernanda Sabogal. Cenografia
Yolanni Mendoza. Figurinos Kelli Jones. Maquiagem e Cabelos Ann-Maree Hurley,
Leo Corey Castellano & Vanessa Colombo. Com Annette Bening, Jodie Foster,
Rhys Ifans, Karly Rothenberg, Jeena Yi, Luke Cosgrove, Eric T. Miller, Garland
Scott.
Em 2010, a nadadora Diana Nyad (Bening), então com 60
anos, decide voltar a tentar efetuar a travessia de Cuba para Key West,
Flórida, pela primeira vez desde 1978. Ela consegue novamente articular como
treinadora, sua melhor amiga, Bonnie (Foster), além de contratar o navegardor
John Bartlett (Ifans). Em meados de 2011, ela cai na água, mas sua travessia é
interrompida pelas correntes marítimas. Uma nova tentativa é efetivada um mês
depois, sendo Nyad vítima do veneno de algumas espécies marítimas,
intoxicando-se fortemente e precisando ser ressuscitada. Em meados do ano
seguinte a meta é abortada por uma forte tempestade, algo que lhe havia sido
alertado por Bartlett. Quando ela tenta novamente, encontra um não como
resposta do navegador, passando por dificuldades financeiras, e também um
afastamento por parte de Bonnie, que a acha pouco sensível às demandas das
outras pessoas. Tempos depois ela consegue reunir novamente os dois, e mais boa
parte da equipe anterior, sempre buscando melhorar em relação aos fatores de
risco e, em agosto de 2013, após um momento no qual possui delírios visuais,
Nyad atinge finalmente o seu objetivo, entrando para a história.
É puro masoquismo se assistir algo do qual você já
sabe antecipadamente a fórmula que guiará o roteiro, com bem maior precisão que
as eventualmente instáveis correntes marítimas enfrentadas pela nadadora.
Trata-se de uma história de superação e persistência, emblemática para muitos
do que representaria o Sonho Americano. O filme pode parecer mais longo,
fazendo uma equiparação com o tempo fílmico, que a própria travessia encenada e
se os obstáculos da nadadora real foram diversos, os dos espectadores não serão
reduzidos. Vão do efeito caracterização dos atores ao uso de canções bastante
populares (Mrs. Robinson, Heart of Gold), à guisa de preencher os
vazios e tentar tornar mais palatável a travessia (desnecessário afirma o não cumprimento
do efeito). Do psicologismo indispensável a evidenciar um topos criador de
potencial empatia junto ao público contemporâneo, o do abuso quando criança
pelo seu treinador, peso que necessita ser exorcizado para a consecução da
conquista às imagens da nadadora e Bonnie quando da realização do feito, no
circuito dos programas de entrevistas da tv americana (ao lado de
entrevistadores como Oprah Winfrey ou Johnny Carson). É o tipo do filme nenhum
pouco aberto às ambiguidades, o que o tornaria mais interessante caso
problematizasse, por exemplo, as controvérsias em torno de Nyad de fato ter
conseguido seu tento em 2013 de forma reconhecida unanimemente, o que está
longe de ser o caso. E aqui muito menos vale questões como o de fidelidade como
de postura ideológico-dramática. Seria efetivamente um outro filme se assim optasse.
Provavelmente mais interessante e menos
redondo, assim como menos propício às facilidades pueris incorporadas. Dito
isso, mesmo na chave da construção de tipos, Foster e Benning estão bem,
auxiliadas por um luxuoso trabalho de maquiagem, caracaterizando a passagem do
tempo no caso de ambas, e os efeitos do sol na pele da nadadora. |Black
Bear/Mad Chance para Netflix. 121 minutos.![]()

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