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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Filme do Dia: Assassinato no Expresso do Oriente (2017), Kenneth Branagh



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Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, EUA/Reino Unido/Malta/França/Canadá/Nova Zelândia, 2017). Direção: Kenneth Branagh. Rot. Adaptado: Michael Green, a partir do romance de Agatha Christie. Fotografia: Haris Zambarloukos. Música: Patrick Doyle. Montagem: Mick Audsley. Dir. de arte: Jim Clay & Dominic Masters. Cenografia: Rebecca Alleway. Figurinos: Alexandra Byrne. Com: Kenneth Branagh, Derek Jacobi, Johnny Depp, Sergei Polunin, Pénelope Cruz, Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Willem Dafoe, Leslie Odom Jr.,  Olivia Colman, Tom Bateman.
Em Instambul, após resolver um caso, Hercule Poirot (Branagh) é convidado a assumir um outro de assassinato em um dos vagões do Expresso do Oriente em que embarca em um último minuto, por insistência de seu amigo pessoal, Bouc (Bateman). Nele viaja igualmente Edward Ratchett (Depp), que sendo ameaçado de morte, busca proteção de Poirot, que a declina. Ratchett é assassinado e fica claro que o assassino se encontra entre os que compartilham o vagão. Uma nevasca interrompe a trajetória do trem.
Branagh, mesmo quase meio século após a adaptação mais célebre do romance de Christie para o cinema, toma como partido um festival de cores e titilações em mercados de Istambul, revivendo com gosto o orientalismo exótico dos tempos do Império, algo que Lumet, mais modestamente jogando suas expectativas em um drama de câmera e elenco atrativo, havia se negado a fazê-lo.O realizador britânico, logicamente, não desperdiçou a chance de também incluir uma lista de atores famosos para vivenciar as personagens do romance, sabendo ser necessário não mais que um breve tempo de atuação para cada e buscando tirar partido, como a versão anterior, do pretenso frisson de tal escolha. A dimensão do célebre bigode de Poirot aqui parece ser um aceno para o que se espera em termos de exagero, inclusive de manipulação digital, mas também de fisicalidade, como é o caso da explosão do Conde Andrenyi, digna de um filme de artes marciais e tão pouco próxima do espírito vitoriano da autora, ou para a caricatura de personagens já por si nascidos caricatos da pena de Christie, como o gângster de rosto maltratado de Depp, que não se escusa em apresentar uma arma apontada para Poirot. E a lista segue: a descrição gráfica da nevasca que interrompe a jornada; Poirot caminhando em cima do vagão e, pior que isso, encarnando menos o detetive cerebral que um atleta a la James Bond, ao perseguir um dos culpados (concessão nada poética aos novos tempos, em que uma produção desse porte também deve possuir “mais ação”?) e até recebendo um tiro e protagonizando uma cena de vida ou morte. As mudanças que Branagh efetua em relação à obra literária, vão desde a inclusão de um prólogo que se refere ao caso ao qual Poirot investigava anteriormente e tem como pretexto certamente o festival de orientalismo e fugir do excessivo enclausuramento da versão anterior, como vários outros momentos do filme referendam,  até substituição de personagens, a missionária sueca se torna a  hispânica Pilar Estravados (do romance O Natal de Poirot), provavelmente por motivos de conveniência de elenco. Sua estupenda fotografia, mesmo que não sendo exatamente nada criativa – momentos em p&b são de flashbacks, por exemplo – faz questão de explorar os sulcos naturais (como os de Dench) e os aparentemente mais incrementados (como os do próprio Poirot de Branagh) dos atores e/ou personagens. Pouco antes do final, Branagh faz uma referência visual a célebre representação da Última Ceia, dispondo os personagens frontalmente em um túnel e compartilhando uma mesa tais como os apóstolos. O filme termina não apenas com uma concessão não observada nem na origem literária nem tampouco na versão de meados dos anos 70, mas talvez algo sintomática de sua época, mesmo que afinada certeiramente com uma tradição melodramática de longa data, com os sentimentos se sobrepondo à razão em um último momento ou quando a razão formal aparentemente não dá conta do que se propõe, e demonstra seus limites, mas igualmente com uma sinalização para a produção posterior a ser dirigida-estrelada pelo mesmo Branagh, encarnando mais uma vez Poirot, e uma vez mais uma nova adaptação para as telas (Morte Sobre o Nilo). Genre Films/Kinberg Genre/Scott Free Prod./The Mark Gordon Co./Latina Pictures/The Estate of Agatha Christie para Twentieth Century Fox. 114 minutos.


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