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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Filme do Dia: Drácula (1977), Philip Saville

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Drácula (Count Dracula, Reino Unido, 1977). Direção: Philip Saville. Rot. Adaptado: Gerald Savory, a partir do romance de Bram Stoker. Fotografia: Peter Hall. Música: Kenyon Emrys-Roberts. Montagem: Richard Redford & Rod Waldron. Dir. de arte: Michael Waldron. Figurinos: Kenneth Morey. Com: Louis Jourdan, Frank Finlay, Susan Penhaligon, Judi Bowker, Jack Shepherd, Mark Burns, Bosco Hogan, Richard Barnes, Ann Queensberry.
Jonathan Harker (Finlay) visita a Transilvânia, onde se encontra com o Conde Drácula (Jourdan), mesmo após ter recebido várias admoestações de não fazê-lo na carruagem que o leva. Sua intenção é firmar um contrato de propriedade na Inglaterra. Drácula o convence a ficar um mês em seu castelo, sob o pretexto de lhe ensinar um perfeito inglês. Aos poucos Harker percebe que, na verdade, é prisioneiro de Drácula. Esse se interessa pelas fotos da noiva de Harker, Mina (Bowker) e sua irmã Lucy (Penhaligon), partindo de encontro a elas e as seduzindo. A mãe das duas, Sra. Westenra (Queensberry), morre de susto numa das investidas diabólicas de Drácula. Lucy morre pouco depois. O cientista van Helsing (Finlay), que se interessa pelo caso, descobre que sua suspeita possui fundamento e que Lucy não apenas morreu, mas passou a ser uma morta-viva, fazendo vítima uma criança.
Essa produção para a TV, mesmo longe de possuir a ousadia visual do contemporâneo filme realizado por Herzog em tributo ao clássico de Murnau, não deixa de, mesmo dentro das limitações de um filme mais próximo de ser filiado ao gênero, trazer algumas surpresas visuais, como a estranha imagem de Drácula se arrastando nas paredes externas de seu castelo, enquanto metade-homem, metade-vampiro. Mais que isso, no entanto, faz-se evidente a sua proximidade com o romance de Stoker, seguindo de forma aproximada seu fio narrativo como poucos, antes e depois e, ao mesmo tempo, construindo um imaginário visual distante das tradições do gênero no cinema, como é o caso, por exemplo, do profícuo ciclo de filmes produzido pelo estúdio conterrâneo Hammer. De fato, o filme se afasta dos atores tradicionalmente vinculados a este, algo que somado ao desenho de produção bastante distinto, traz uma dimensão algo realista e, por conta de sua proximidade com o romance de Stoker, retrabalhando opções que já haviam sido efetuadas, sobretudo pelo Nosferatu (1922), de Murnau, como é o caso do cocheiro de rosto parcialmente coberto, a referência ao capitão do navio que se amarra ao próprio timão e, ainda mais que isso, uma atualização do uso experimental dos efeitos em negativo do filme alemão agora com os recursos propiciados pela imagem em vídeo. O erotismo sempre fortemente associado ao gênero, como já o havia sido na própria fonte literária, aqui trai talvez a influência de Rosas Selvagens (1960) e talvez isso também tenha sido decisivo ao fazer uso de um ator estrangeiro mais ou menos entranhado no cinema anglo-saxão, como a versão mais célebre o fizera em 1931 com Lugosi. Torna-se evidente, igualmente, que enquanto virginal e pura, Lucy é a imagem da heroína romântica que se transforma em desregrada e promíscua, sendo sua “liberação” associada a seu vampirismo, numa ambiguidade sexual em nada distante da presente em outro clássico literário do gênero também bastante popular no cinema, O Médico e o Monstro. Há uma sutil ironia no momento em que Drácula acusa seu inquisidor de tentar ser mais convincente ao se dirigir a ele em latim. Em momentos finais de sua longeva metragem a ação banaliza a relativamente sábia construção atmosférica do filme. BBC. 150 minutos.