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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Filme do Dia: Páscoa de Sangue (1950), Giuseppe De Santis


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Páscoa de Sangue (Non c’è Pace tra gli Ulivi, Itália, 1950). Direção: Guisseppe De Santis. Rot. Original: Guisseppe De Santis, Libero De Libero, Carlo Lizzani, Guisseppe De Santis & Gianni Puccini, a partir do argumento de Puccini Fotografia: Piero Portalupi. Música: Goffredo Petrassi. Montagem: Gabriele Varriale. Dir. de arte e Cenografia:  Carlo Egidi. Figurinos: Anna Gobi. Com: Raf Vallone, Lucia Bosé, Folco Lulli, Maria Grazia Francia, Dante Maggio, Michele Riccardini, Vincenzo Talarico, Piero Tordi.
Após retornar da guerra e passar um tempo na prisão, Francesco (Vallone), descobre que a família se encontra em dificuldades, em grande parte graças ao oportunismo de Bonfiglio (Lulli), um ganancioso e rude homem que somente pensa em si próprio. Bonfiglio pretende também se apoderar da jovem e bela Lucia (Bosé), apaixonada por Francesco.  Lucia, contra à sua vontade, pretende se unir a ele apenas para ajudar sua família, porém quando sabe que a irmã de Francesco, Maria Grazia (Francia), manteve relações com ele, rompe o noivado. Ao saber que Francesco andou voltando a se apoderar das ovelhas que um dia lhe foram roubadas, Bonfiglio chama a polícia e a questão vai  parar no tribunal. A situação continua e Bonfiglio afirma ao comandante da força policial (Riccardini) que irá fazer justiça com suas mãos. O comandante retruca que seus homens já estão indo para a montanha aprisionar Francesco. Bonfiglio manda também um grupo de seus homens. Lucia vai se unir a Francesco. Ele consegue driblar a força policial e se encontra com os homens de  Bonfiglio, que o apoiam, e vai ajustar suas contas com Bonfiglio, agora casado com sua irmã. Bonfiglio foge e assassina Maria Grazia, decidindo se matar quando se vê acuado entre Francesco e um precipício.
É evidente o desejo de se dirigir ao mercado americano presente numa versão especialmente preparada com créditos em inglês, assim como uma legendagem especificamente produzida, para que certamente não se perdesse uma boa parte da “cor local”, na cola do sucesso do Neorrealismo incluindo o seu próprio Arroz Amargo. Porém, mesmo que compartilhe com a produção neorrealista a temática social e a filmagem em locações, o filme se distingue já em seu princípio, ao apresentar um virtuoso plano-seqüência que dura não menos que dois minutos. Do mesmo modo a narração do próprio De Santis, que  certifica se tratar de uma história como muitas que presenciou em “sua terra”, já que foi filmado na região onde nasceu, dando-lhe uma dimensão de testemunho realista, a desvela, como o virtuoso trabalho de câmera inicial ou a curiosa cena em que o casal apaixonado interpreta menos entre si do que diretamente para a câmera, explicitando o filme enquanto elaboração narrativa, e igualmente provocando um efeito de distanciamento emocional, ambas características do cinema moderno. O filme apresenta vários entraves, talvez a maior parte deles devedora da difícil tentativa de conjugar sua moral fabular com seus cenários e personagens de pretensões realistas (algo semelhante a O Árido Verão) em uma chave mais próxima de um cinema palatável para o grande público do que as produções neorrealistas. O tiro acaba saindo pela culatra, já que tanto Vallone quanto Bosé possuem uma chave interpretativa demasiado convencional, e mesmo empostada num estilo que beira o hollywoodiano, entrando em choque com o amadorismo de boa parte do restante do elenco de apoio. E, por outro lado, a solução do povo se unindo contra um inimigo comum, que representa evidentemente o egoísmo de um individualismo pequeno-burguês, parece demasiado fácil para ser efetiva. Uma suave exploração do erotismo tanto feminino quanto masculino do par central já havia sido prenunciada em seu mais famoso Arroz Amargo e o cineasta inclusive quis repetir Mangano como Lucia, não conseguindo por conta da gravidez da atriz. Trabalhando com tema semelhante, Vittorio De Seta efetivou um filme mais próximo do cinema moderno de sua época, com Banditi a Orgosolo. À forma subserviente com que a protagonista feminina se rende ao seu amor sem limites, não se importando em ser estapeada inclusive, somaria-se um erotismo menos suave e as cores de produções posteriores como Giorni d’Amore, sem abandonar o ambiente popular. Destaque para o tratamento pouco realista (proposital?) dos efeitos sonoros de reações de aglomerados de pessoas reagindo positiva ou negativamente a ação enquanto marcada função de coro para o drama em fluxo. Lux Film. 93 minutos.

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