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terça-feira, 24 de abril de 2018

Filme do Dia: Te Prometo Anarquía (2015), Julio Hernández Córdon


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Te Prometo Anarquía (México/Alemanha, 2015). Direção e Rot. Original: Julio Hernández Cordón. Fotografia: Mario Secco. Música: Eric Bongcam. Montagem: Lenz Claure. Dir. de arte: Liz Medrano. Figurinos: Andrea Manuel. Com: Diego Calva Hernández, Eduardo Eliseo Martinez, Shvasti Calderón, Oscar Mario Botello, Gabriel Casanova, Sarah Minter, Martha Claudia Moreno, Diego Escamilla Corona.
Miguel (Hernández) é um skatista de classe média que, juntamente com seu amante bissexual  Johnny (Martinez), filho da empregada de sua família, compra  drogas a partir do aliciamento das pessoas do meio em que circulam para vender sangue para traficantes de drogas. Porém, se todas as vezes o negócio foi tranquilo, o que o ator de peças publicitárias arranja agora para eles é sinistro. O grupo se apodera do carro de Miguel e desaparece com a meia centena de pessoas que eles haviam conseguido, incluindo o amigo querido deles Techno (Corona) e a namorada de Johnny, Adri (Calderón).
O título evidentemente sinaliza talvez menos para os personagens envolvidos, sobretudo o casal principal, que para o espectador desavisado ou, ao contrário, demasiado avisado. E uma anarquia que talvez seja menos a dos jovens hedonistas como parecia ser o apelo a partir das fotos mais utilizadas em sua divulgação que do próprio México, mesmo que a mesma se encontre longe de ser mais que tocada. Parte-se de uma premissa de um tema sensacionalista capaz de gerar certa tensão (o tráfico de sangue ilegal com traficantes de drogas) e se associa a isso um universo de apelo jovem, descolado, gay e quando não ao menos homoerótico potencialmente. Porém, infelizmente as saídas são demasiado fáceis, pouco convincentes e um tanto autocomplacentes, tal como a sua açucarada trilha, um dos males a igualmente infestar o cinema queer francês de tempos atrás. Calva Hernández dá conta de seu personagem e o elenco em geral não se sai mal. Falta, no entanto, mais saídas tocantes a partir de motivos relativamente simples, como os amigos se abraçando sofridos e desesperados em meio uma passarela de pedestres, trabalhando de forma bastante interessante o contraste entre a explosão emocional em meio a indiferença cinzenta de veículos e pessoas de um inóspito e impessoal ambiente que é a metrópole (situação que já havia sido explorada, a partir de uma premissa similar, mas com bem mais apuro poético, por Julio Bressane, em Matou a Família e Foi ao Cinema). Uma das possibilidades de um filme que toca de forma tão superficial em tudo seria um final um pouco mais verossímil e se imaginar que o Johnny que surge, como num passe de mágica, às costas de Miguel em seu exilio voluntário norte-americano não passaria mais do que um relance de fantasia e não mais uma forma de apresentar um final afirmativo um tanto deslocado dentro do contexto apresentado. E mesmo que assim o seja, que esse final seja uma licença poética do realizador, a partir do imaginário romântico de seu protagonista adolescente, não mudará muito o efeito final.  Para não falar de toda uma série de penduricalhos que não dizem a que vieram, em termos dramáticos, como a própria personagem de Adri – que existe apenas para que se pense em reforçar o pathos pelo que ocorreu na dupla, já que dela não se tem o mínimo vislumbre de nada? No final de contas, há um cheiro nada interessante de uma exploração um tanto voyeurística de jovens em situação de risco – e esse risco poderia ser duplicado aqui em termos do risco da representação deles pelo filme e não apenas da situação ficcional envolvida – em nada dessemelhante de um realizador como Larry Clarke. Quarto longa do cineasta guatemalteco, que parece ter uma queda por personagens similares em algumas de suas outras produções. Interior13 Cine/FOPROCINE/Rohfilm. 86 minutos.

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