CONTRA O GOLPE CIVIL-MIDIÁTICO-JUDICIÁRIO EM CURSO E PELO RETORNO DA DEMOCRACIA

#ELENÃO

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Filme do Dia: Dias de Ira (1943), Carl Th. Dreyer


Resultado de imagem



Dias de Ira (Vredens Dag, Dinamarca, 1943). Direção: Carl Theodor Dreyer. Rot.Adaptado: Carl Th. Dreyer, Poul Knudsen, Paul La Cour & Mogens Skot-Hansen, baseado no romance Anne Pedersdotter, de Hans Wiers-Jenssens. Fotografia: Karl Andersson. Música: Poul Schierbeck. Montagem: Anne Marie Petersen & Edith Schlüssel. Dir. de arte: Erik Aaes. Com: Thorkild Roose, Lisbeth Movin, Sigrid Neiiendam, Preben Lerdorff Rye, Anna Svierkier, Abert Høeberg, Olaf Ussing.
           O pastor Absalon Podersson (Roose) casa-se novamente. Sua jovem esposa, Anne (Movin), é intensamente mal vista pela mãe de Absalon (Neiiendam), extremada nos cuidados ao filho e a moral. O filho de Absalon, Martin (Rye), resolve passar uns dias com o pai. Ao mesmo tempo, refugia-se na casa, sob os cuidados de Anne, Herlofs Marte (Svierkier), acusada de bruxaria. Anne sente-se imediatamente atraída por Martin. Logo descoberta, Herlofs, que será levada a julgamento, ameaça Absalon, já que sabe que ele absolvera a mãe de Anne de bruxaria apenas por causa da filha. Anne escuta tudo. Herlofs é queimada na fogueira, para o tormento de Absalon, enquanto Anne passa a relacionar-se com Martin. Na noite que visitara o leito de morte de um amigo, Laurentius (Ussing), amaldiçoado por Herlofs, Absalon discute com Anne. Essa lhe afirma que ele jamais perguntara se ela desejara unir-se com ele ou se era feliz no casamento. Ao confirmar que desejara a morte do marido, Anne presencia sua morte súbita. Porém Martin, sentindo-se extremamente culpado, afasta-se dela. No dia da missa de corpo presente, Martin defende Anne, enquanto a mãe de Absalon a desmascara enquanto bruxa, o que a própria Anne confirma.
Mais convencional, em termos formais, que seu filme anterior, Vampiro, Dreyer conta em uma narrativa clássica e enxuta, uma história também movida por sentimentos básicos. Amor, ódio, medo, paixão parecem ser representados por cada personagem. Ao mesmo tempo, o caráter metafísico que Dreyer pretende suscitar, presente na crise de fé em que se encontra mergulhado o pastor após a morte de Herlofs e as acusações de sua esposa sobre seu egoísmo, nunca obscurecem a fisicalidade da interpretação dos atores, destacada sobretudo na forma em que expõe em semi-nudez a bruxa. A soberba direção dos mesmos e o senso de timing encontram-se entre as virtudes do filme, que provavelmente deve ter influenciado cineastas como Bergman. Palladium Productions. 110 minutos.