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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Filme do Dia: Uma Nova Amiga (2014), François Ozon


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Uma Nova Amiga (Une Nouvelle Amie, França, 2014). Direção: François Ozon. Rot. Adaptado: François Ozon, a partir do romance de Ruth Rendell. Fotografia: Pascal Marti.  Música: Philippe Rombi. Montagem: Laura Gardette. Dir. de arte: Michel Barthélémy & Pascal Leguellec. Cenografia: Nathalie Roubaud. Com: Romain Duris, Anaïs Demoustier, Raphaël Personnaz, Isild Le Besco, Aurore Clément, Jean-Claude Bolle-Reddat, Bruno Pérard, Claudine Chatel.
Claire (Durís), deprimida com a morte da amiga de uma vida, Laura (Le Besco), hesita se aproximar do viúvo da amiga David (Duris) para não encontrar o bebê do casal, que lhe faz lembrar a amiga morta. Não resiste e certo dia faz uma visita a residência de David, flagrando-o travestido com a criança.  David afirma a uma surpreendida Claire, que Laura sempre soubera de seu desejo de se travestir, mas que nunca sentira necessidade quando vivera com ela.  Claire se aproxima de David, passando a chama-lo de Virginia. A proximidade de ambos desperta os ciúmes do marido de Claire, e Claire inventa que ele é gay e vive um momento de tensão com relação a sua nova identidade. Uma tensão latente existe entre Claire e Virginia. Ela inicialmente se afasta da nova amiga, mas afirma para David que sente falta de Virginia. David não apenas volta a se travestir e leva Claire para um encontro sexual que não se sucede de todo. Ainda processando o ocorrido, Virginia é atropelada por um carro e entra em coma. Apenas Claire possui motivos que despertam o retorno à vida de Virginia.
O filme se torna profundamente prejudicado pela ausência de uma elaboração mais densa sobre suas personagens, tornando-se, em grande parte, vítima somente de seus golpes de efeito que tampouco funcionam, pois em sua maior parte demasiado previsíveis, como é o caso da aproximação entre Claire e Virginia, que certamente reencontra na nova amiga um passaporte para superar e ao mesmo tempo se defrontar com o desejo pela amiga morta. Para complicar ainda mais, embora os atores não sejam ruins, sua postura diante do que vivenciam soa demasiado anêmica para empolgar. Se chocar o burguês se tornou uma estratégia mais difícil, Ozon pretende ao menos diverti-lo. E nem isso consegue. Suas tiradas relacionadas ao transformismo de David/Virginia são previsíveis ou simplesmente não engraçadas, como a situação em que a sogra de David o visita em casa e esse, com Claire a lhe orienta-lo, esquece de tirar o batom, situação que reúne as duas características citadas. Ou ainda a cena-chave em que Virginia sai, como que encanto, do coma. Se muitas das situações talvez até rendessem mais nas mãos de alguém mais talentoso como Almodóvar (apesar de outra adaptação de Rendell tampouco se encontrar entre as melhores obras do cineasta, Carne Trêmula) ou Chabrol (Mulheres Diabólicas), com Ozon suscitam algo já visto. A determinado momento o filme parece querer engatar uma saída abertamente cômica a la Tootsie. Noutras parece fazer um ajuste de contas entre David/Virginia consigo próprio em chave sério dramática e mesmo quase grave. E novamente se sente que tal variação também se deu, via de regra, de melhor forma nas mãos de cineastas como Almodóvar ou Fassbinder. Mandarin Films/FOZ/Mars Films/France 2 Cinéma. 108 minutos.