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sábado, 21 de abril de 2018

Filme do Dia: A Separação (2011), Asghar Farhadi


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A Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã, 2011). Direção e Rot. Original: Asghar Farhadi. Fotografia: Mahmoud Kalari. Música: Satar Oraki. Montagem: Hayedeh Safiyari. Dir. de arte: Keyvan Moghaddan. Com: Peyman Maadi, Leila Hatami, Sareh Bayet, Shahab Hosseini, Sarina Farhadi, Merila Zare’i, Ali-Asghar Shahbazi, Babak Karimi.
Nader (Maadi) está se separando de sua esposa, Simin (Hatami). Sua nova vida, ao lado da filha Termeh (Farhadi), faz com que contrate uma mulher, Razieh (Bayet) para tomar conta de seu velho pai (Shahbazi), vítima de Alzheimer. Porém, ao chegar certo dia, Nader encontra seu pai caído da cama, onde se encontrava amarrado e Simin havia saído da casa. Quando ela volta uma discussão acontece entre os dois e ele a expulsa de sua casa. Ela ainda retorna, reivindicando por seu salário e, mais uma vez, é escorraçada da casa. No dia seguinte, Nader fica sabendo, através de Simin, que Razieh  o acusa de ter sido o responsável pela queda na escada que teria provocado a morte de seu filho. Seu marido, de temperamento explosivo, passa a ameçar a família de Nader. Simin descobre que Razieh havia sofrido um acidente anterior a queda da escada que pode ter sido o motivo para a perda de seu filho.
Farhadi se afasta da estética que havia transformado o cinema iraniano num destaque na produção mais próxima do que se convencionou chamar “cinema de arte” (Makhmalbaf, Kiarostami) e o aproximou dos protocolos mais convencionais da produção ocidental, sem criticar diretamente a sociedade iraniana como outros (Jafar Panahi). Talvez o que filme possua em comum com essa produção anterior seja o caráter obsessivo com que se detém no conflito principal, infelizmente sufocando-o a certo momento com o repisar dos mesmos eventos. Suas interpretações são também mais próximas do realismo-naturalismo mais convencional. Farhadi tece o seu retrato da sociedade iraniana e sua conformação peculiar com relação à moral e as relações entre gêneros sem diretamente tomar partido, por exemplo, pela situação de opressão feminina, como é o caso do israelense Amos Gitai. O que, se por um lado, livra o filme do maniqueísmo com relação aos seus personagens, por outro não deixa marcada sua posição com relação aos eventos que descreve, tornando possível que se imagine e até que aceite com naturalidade o papel de culpa carregado pela figura feminina com relação à separação e, por consequência, de todos os conflitos que se seguem. Ao contrário de boa parte da produção de maior reconhecimento internacional, igualmente, o filme ao optar pelo realismo evidencia as disparidades sociais que separam a família da elite e a proletária. Do final, no qual a garota irá decidir diante do juiz que pede aos pais que esperem fora da sala, com quem decidirá ficar, já se espera que não se saiba a decisão – e os créditos finais continuarem insistindo na imagem apenas frusta a expectativa de quem permanece até o fim, dilatando a espera. Asghar Farhadi para Filmiran. 123 minutos.

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