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sábado, 30 de setembro de 2017

The Film Handbook#145: Maurice Pialat

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Maurice Pialat
Nascimento: 21/08/1925/Puy-de-Dôme, França
Morte: 11/01/2003, Paris, França
Carreira (como realizador): 1958-1995

Apesar de ter se tornado realizador relativamente tarde, nos últimos anos Maurice Pialat tem se estabelecido como um dos diretores mais importantes da França. De forma intrigante, seus filmes tem se tornado crescentemente sombrios enquanto ele próprio  tem de forma consistente passado da relativa obscuridade ao reconhecimento internacional.

Anteriormente pintor e, ocasionalmente, ator (algumas vezes ele aparece em seus próprios filmes), Pialat se tornou inicialmente interessado por cinema no final dos anos 50, quando realizou uma série de curtas (incluindo o premiado L'Amour Existe). Seu primeiro longa, no entanto, não seria realizado antes de 1968, após longo trabalho na televisão: já tendo estabelecido um estilo basicamente realista (através do uso de atores não professionais, uma observação penetrante das banalidades cotidianas, e discretas técnicas de montagem). A Infância Nua/L'Enfance Nue foi uma narrativa sutil do impulso de um rapaz para a delinquência quando é levado a viver com seus pais adotivos. De forma semelhante, análises modestas de nada excepcionais crises emocionais foram a tônica de Nós Não Envelheceremos Juntos/Nous Ne Vieillirons Pas Ensemble, sobre o rompimento traumático de uma relação; La Gueule Ouverte, no qual o câncer de uma mulher força a família a dolorosamente travar contato com a morte; e o relativamente leve, mas igualmente perspicaz Antes Passe no Vestibular/Passe ton bac d'Abord>1, no qual as esperanças, ansiedades e experiências tediosas de um grupo de adolescentes em idade escolar são observadas com uma honestidade sedutora que nunca se torna presa de moralidade fácil ou sentimentalismo piegas.

Com o acréscimo do poder de astro de Gérard Depardieu e Isabelle Huppert enquanto uma rude trabalhadora e seu entediado amante burguês, Loulou>2 trouxe a aclamação internacional a Pialat, ainda que seu retrato de um problemático, caso de amor nada atrativo, sustentado por uma desavergonhada fisicalidade tenha sido, em última instância, sórdido. Aos Nossos Amores/A Nos Amours>3, foi ainda mais pessimista - uma digressiva história de uma promíscua garota de 15 anos que opta por um casamento sem amor para escapar de uma vida familiar na qual a mútua incompreensão e as recriminações violentas eram a norma cotidiana. Na verdade, os filmes de Pialat - frequentemente em parte improvisados, e notáveis por seus cenários nada glamorosos, por esse momento parecem ter entrado em conflito. Polícia/Police, que tenta ambiciosamente lidar com o amor obsessivo de um policial por uma atraente criminosa jovem dentro do formato do moderno filme de ação foi um retrato indulgente e controvertido de um herói absolutamente sexista e racista; enquanto Sob o Sol de Satã/Sous le Souleil de Satan>4 focava sua atenção na auto-aversão espiritual, presente em imagens austeras de um mundo de pobreza, maldade aleatória e fé cega. Nesse meio, um padre que acredita que a vida é governada pelo Demônio mais do que por Deus se castiga com tão veemente ardor que é observado enquanto um inspirado santo com poderes divinos. Novamente, a despeito da interioridade do filme, com a temática religiosa, o filme é impiedosamente realista, portanto permitindo genuínas ambiguidades.

Ainda que o talento do diretor para retratar a realidade psicológica através da observação detalhada seja inegável existe, em seus filmes recentes, elementos de misantropia que se assemelham aos de uma inteligência fria e superior, um tanto desdenhosa. Sua melhor obra, a inicial, destaca-se por uma ternura sóbria.

Cronologia

O realismo de Pialat leva-o (frequentemente de forma inapropriada) a ser comparado com o de Loach, Ermanno Olmi, Forman e o  Truffaut de Os Incompreendidos. Moralmente ele pode ser comparado talvez com Clouzot e Franju.

Destaques
1. Antes Passe no Vestibular, França, 1976 c/Sabrine Haudepin, Philippe Marlaud, Bernard Tronczyk

2. Loulou, França, 1980 c/Gérard Depardieu, Isabelle Huppert, Guy Marchand

3. Aos Nossos Amores, França, 1984 c/Sandrine Bonnaire, Pialat, Dominique Besnehard

4. Sob o Sol de Satã, França, 1987 c/Gérard Depardieu, Sandrine Bonnaire, Pialat

Fonte: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, pp. 220-1.