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sábado, 23 de setembro de 2017

Filme do Dia: O Ídolo Caído (1948), Carol Reed


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O Ídolo Caído (The Fallen Idol, Reino Unido, 1948). Direção: Carol Reed. Rot. Original:                           Graham Greene,  Lesley Storm &  William Templeton. Fotografia: Georges Périnal. Música: William Alwyn. Montagem: Oswald Hafenrichter. Cenografia: Vincent Korda &  James Sawyer.  Com: Ralph Richardson, Michèle Morgan, Bobby Henrey, Denis O’Dea, Walter Fitzgerald, Dandy Nichols, Gerard Heinz.
             Baines (Richardson) é mordomo em uma embaixada de um país do Leste Europeu em Londres. Aproveitando a ausência dos patrões, ele procura conciliar seu tempo entre acompanhar o jovem filho do embaixador, Phillipe (Henrey), despistar a mulher (Dresdel),  e encontrar-se com a amante Julie (Morgan). Baites pede que o garoto guarde segredo. Desconfiada, sua mulher descobre, através de Phillipe, que a detesta e adora Baines,  que o marido se encontrara secretamente com a amante. Também pede para que a criança guarde segredo. Finge abandonar a casa e observa a presença de Baines com Julie. De madrugada acorda Phillipe e pergunta pelo casal. Logo depois cai e morre próximo a escada. O inspetor Crowe (O’Dea) chega com seus homens, após a suspeita do médico, doutor Fenton (Fitzgerald), que acredita que o ferimento é muito grave para uma mera queda. No dia seguinte, Julie chega no momento errado, quando os policias acabam de chegar, e se faz passar por secretária da embaixada. Mentindo sobre o encontro fortuito que houvera na mesma noite, Phillipe se trai e revela a presença de uma terceira pessoa. Baines também não se mostra convincente na sua argumentação, quando inventa que essa terceira pessoa é sua esposa, já que a Polícia descobre um telegrama dessa. Revela  todo o segredo sobre o seu relacionamento com Baites e afirma ser a terceira pessoa. Sua revelação funciona para, em um primeiro momento, piorar a situação de Baines, mas logo em seguida para absolvê-lo, já que a polícia encontra um vaso derramado que comprova a tese do acidente, e as mentiras de Baines agora podem ser analisadas como mera tentativa de encobrir seu relacionamento extra-conjugal. Julie pede a Phillipe que conte somente a verdade à Polícia. Os policiais acreditam que tentando espionar o relacionamento amoroso do marido, a Sra. Baines acabou sendo vítima do acidente, ignorando por completo os apelos do menino que avisa que fora ele que derrubara o vaso, o que voltaria a incriminar Baines. A situação volta completamente ao seu eixo com a chegada do embaixador (Heinz) e sua esposa.

O filme se apóia por completo na dificuldade do garoto de absorver a lógica do mundo adulto, que lhe foge à razão, já que Baines e sua esposa pedem-lhe para guardar seus segredos, o que lhe deixa em extremo conflito para não revelar nada de nenhuma das partes. Posteriormente Baines afirma que ele deve negar sobre o fato que lhe contara que matara um homem na África e  não deve revelar igualmente a presença de Julie na noite do crime e, Julie, pelo contrário lhe afirmará que deverá contar apenas a verdade aos policiais. Ironicamente quando mentira para proteger Baines, prejudica-o e, no momento em que pretende dizer a verdade, é completamente ignorado pelos policiais, mal sabendo que sua confissão iria deixar Baines em apuros. A estratégia de centrar a narrativa na perspectiva do jovem – inclusive nos planos subjetivos que testemunham e evidenciam para nós tudo o que permanece obscuro para ele – e a interpretação de Richardson são o que há de melhor no filme. Escrito por Greene, que colaborou em uma trilogia de filmes de suspense com Reed, sendo o mais conhecido deles, O Terceiro Homem. British Lion Film Corporation/London Film Productions . 95 minutos.

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