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#ELENÃO

sábado, 16 de setembro de 2017

Filme do Dia: Kama Sutra (1996), Mira Nair


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Kama Sutra (Kama Sutra: A Tale of Love, EUA/Índia/Reino Unido/Alemanha/Japão, 1996) Direção: Mira Nair. Rot.Original: Mira Nair&Helena Kriel. Fotografia: Declan Quinn. Música: Richard Dasno. Montagem: Kristina Doden. Com: Khalid Tiabji, Ramon Tikanan, Indira Varma, Rekha.
Século XVI. Maya (Tiabji), jovem hindu, provoca um grande fascínio no príncipe que procura uma esposa. A esposa que lhe é indicada é grande amiga de Maya, Tara. Na véspera da noite de núpcias, Maya vai até o quarto do príncipe e faz amor com este. O irmão de Tara, apaixonado por Maya, observa tudo e conta para sua mãe. Maya é expulsa e passa a viver como pária até ser acolhida por um jovem escultor que observa quando se banha no Ganges. Maya passa a viver com uma mulher, ex-cortesã, que ensina a prática do kama sutra a futuras cortesãs. O escultor afirma que Maya é fonte de inspiração de seus trabalhos em pedra. Os dois passam a se relacionar. Encanta Maya a sensibilidade do jovem, ausente em todos os homens que tinha como referência, principalmente no príncipe, cada vez mais devasso. Quando sente-se que se encontra apaixonado por Maya, o escultor procura afastar-se temendo a dependência e a força de seus sentimentos. Maya decide pedir a instrutora que lhe ensine as práticas do Kama Sutra. O príncipe, conhecido do escultor, conhece a escultura que fizera e quer conhecer sua musa inspiradora. Maya passa a ser  mais uma cortesã do príncipe. O príncipe pede ao escultor que faça um trabalho para ele tendo Maya como modelo, mesmo sabendo que este já fora apaixonado por ela. Maya e o escultor reatam, mas o príncipe enfurecido ao saber pede a cabeça do escultor e condena-o à morte. Maya reaproxima-se de Tara, que nada pode fazer para ajudá-la. Após a morte de seu amor e a tomada da corte pelo irmão de Tara, só resta a Maya o consolo de permanecer viva.
As dificuldades do filme são muitas. Para começar narra uma história do século XVI tendo como ótica moral os dias de hoje. O libertário feminismo precoce de nossa heroína e a estupidez da sociedade opressora talvez fossem melhor retratados sem a forte conotação moral. Já falariam por si próprios e, talvez, até com maior impacto. Os Silêncios do Palácio, por exemplo, trata o tema  de forma até mais panfletária, porém o filme  é ambientado já neste século, onde os valores da modernidade já se mesclavam aos tradicionais na sociedade tunisiana. Para piorar o roteiro não ajuda em nada. Frases como a de Maya - "Satisfação é meu departamento" ao retrucar para a ex-amiga Tara, quando passa a ser uma das cortesãs do príncipe, e recusa as vestimentas na sua autossuficiência soariam verossímeis em uma telenovela contemporânea. Ou ainda a profunda constatação que a mestra em kama sutra faz para Maya, depois dessa ter sido abandonada pelo escultor: "Às vezes, as coisas não fazem sentido". Pérolas como essas parecem realmente fazer ainda menos sentido quando são proclamadas em inglês por atores - como é o caso do escultor  - sofríveis, como quando este último declama que ela é sua "flower". Enfim, o típico filme "indiano" para exportação. Mirabai Films. 117 minutos.