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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Filme do Dia: Jingle Jangle Jungle (1950), Seymour Kneitel




Jingle Jangle Jungle (EUA, 1950). Direção: Seymour Kneitel. Rot. Original: Larry Riley & Joe Stultz. Música: Winston Sharples.

Esse curta de animação repleto de estereótipos a respeito da África, parece ser uma suma do tom sardônico-alucinado de um Tex Avery com a animação musicada dos anos 30; com relação ao primeiro uma sucessão de gags que evocam as distinções entre a cultura africana e a ocidental, por vezes fazendo uso de uma na outra, como na evocação de um oásis de práticas modernas ou nos canibais com suas panelas de pressão de última geração do lado apenas esperando a primeira vítima ou ainda os africanos que carregam um colonizador na rede e ao atravessarem o rio saem com um crocodilo metido a dândi, sendo a talvez mais infame de todas a que inicia fazendo menção ao continente negro como aquele no qual a escuridão da noite não se distingue da própria cor da pele de seus nativos; e como no caso de Avery, as gags são costuradas pela narração de tons distanciados mas levemente irônicos, marcando sua aproximação e ao mesmo tempo distanciamento de semelhante uso pelo documentário contemporâneo. Quanto a participação musical deve-se igualmente ressaltar suas diferenças com relação à produção dos anos 30. Aqui não somente o estilo musical é menos adocicado que a verve conto-de-fadas daquela produção e se aproxima da música industrial contemporânea (o jingle do título) como o momento em que surge praticamente paralisa metade da duração da animação para que seja acompanhada com sua letra, uma característica da série Screen Songs e que acena para o público infantil que tem como alvo; portanto, enquanto os números musicais na produção dos 30 coincidia também com o ápice das construções visuais, aqui ocorre o oposto, com a subordinação da imagem à canção e sua letra. Tradição, no entanto, que remonta ao menos a longevidade da série, existente já no final dos anos 20 e já fazendo uso de tais recursos, portanto antes mesmo que o estilo de animação da Silly Simphonies se tornasse o padrão. Mesmo longe de alcançar as qualidades das animações que lhe antecederam e com que de algum modo dialoga e repleto de situações etnocêntricas, nem por isso se pretende rir apenas do elemento africano, como na sua sequencia final, em que um leão-rei recusa a proposta de fazer parte de um circo, mas acaba sendo “capturado” pelo dono de circo travestido de sensual leoa (numa evocação de erotismo quase tão explícita quanto algumas criadas por Avery alguns anos antes) e nadando todo o Oceano apenas para chegar em Nova York e ser capturado numa jaula. Quando descobre o engodo e é vítima do riso do proprietário, não deixa por menos e engole o mesmo regurgitando apenas seu chapéu. Famous Studios para Paramount Pictures. 6 minutos e 36 segundos.




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