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sábado, 1 de abril de 2017

Filme do Dia: What Drink Did (1909), D.W.Griffith




What Drink Did (EUA, 1909). Direção: D.W. Griffith. Com: David Miles, Florence Lawrence, Adele DeGarde, Gladys Egan, Charles Avery, Owen Moore, John R. Cumpson, Mack Sennett, Harry Solter.

Alfred (Miles), pai respeitado e amado pelas filhas (Egan e DeGarde) e esposa (Lawrence), passa a se desinteressar da família a partir do momento que concorda em ir após o trabalho com outros trabalhadores beber em um saloon. Chocada ao presenciar o marido bêbado, sua esposa pede que uma das filhas vá procurá-lo. Ela o encontra em um bar, mas ele resiste em voltar para casa. Ao voltar para casa e perceber a mãe e a irmã desesperadas, retorna ao bar, onde é violentamente afastada pelo pai, provocando a ira de um dos empregados do estabelecimento que ao discutir com Alfred e tentar matá-lo com um tiro, atinge a garota. Desesperado, Alfred se regenera e agora se afasta dos antigos amigos de bebedeira, reaproximando-se da família.

Mesmo que de longe menos cinematograficamente interessante que A Drunkard’s Reformation, produzido no mesmo ano, possui um intuito ainda mais explícito de moralização que contrapõe os valores domésticos aos do saloon, que de certa forma mimetiza o próprio processo de valorização moral do cinema à sua época, mesmo que aqui o aspecto regenerador venha menos de uma obra de arte, duplo do próprio cinema, como no outro filme e sim da tragédia involuntária que se abate sobre a família. O caráter moralista explícito já se encontra na cartela que surge antes de qualquer imagem afirmando ser a narrativa que se segue uma “lição de moral para refletir”.  É interessante que a compressão temporal da narrativa faça com que os eventos se precipitem de modo bastante rápido, como é o caso do vício do protagonista ou da briga entre esse e o homem do bar, que imediatamente já saca o revólver mas, por outro lado, detêm-se por bastante tempo na jornada da garota para trazer o pai de volta para o seio do lar, criando uma ainda maior potencial identidade de comiseração  com seu destino trágico. A decupagem desse filme pode ser considerada bastante precária em relação a maior parte da produção de Griffith posterior – praticamente não indo além dos planos abertos que apresentam os atores de corpo inteiro. Faz uso da montagem paralela em dois momentos que ressaltam os afazeres domésticos ou a ansiedade da família em contraposição a dissolução do protagonista no bar. Gladys Egan, que vive a garota que será assassinada, era a atriz-mirim mais recorrente da trupe de Griffith, acompanhando-o desde o seu primeiro filme, protagonizado por ela (The Adventures of Dollie) Biograph. 10 minutos e 17 segundos.

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