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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Filme do Dia: Os Inocentes Charmosos (1960), Andrzej Wajda

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Os Inocentes Charmosos (Niewinni Czarodzieje, Polônia, 1960). Direção: Andrzej Wajda. Rot. Original: Jerzy Andrzejewski & Jerzy Skolimowski. Fotografia: Krzysztof Winiewicz. Música: Krysztof Komeda. Montagem: Wieslawa Otocka. Dir. de arte: Leszek Wajda. Com: Tadeusz Lominicki, Krystyna Stypulkowska, Wanda Koczeska, Kalina Jedrusik, Teresa Szmigielówna, Zbgniew Cybulski.
Bazyli (Lominicki) é médico que atende a lutadores de boxe e músico amador nas horas vagas. Mulherengo, mas cansado da vacuidade do mundo de relações instáveis de seus amigos boêmios, sente algo diferente pela bela e jovem Pelagia (Stypulkowska) quando após um acerto com um amigo, vê-se com ela em seu apartamento. Eles falam sobre a moral e o amor, porém Bazyli a deixa cochilando para atender seus amigos que vem de uma farra. Ao retornar, não mais a encontra e a procura pelas ruas da cidade. Ao voltar ao apartamento, ela se encontra novamente lá, porém disposta a ir embora.
Realizado no auge das produções mais politizadas pelo qual é mais conhecido, essa pequena gema com uma fotografia inacreditavelmente bela em p&b, assim como uma elegante fotogenia e excelente elenco (com a presença numa diminuta ponta de Polanski, como um dos músicos) pretende, como outras produções contemporâneas que exalam sua bossa modernista, unirem a errância e/ou confusão existencial de seus protagonistas ao improviso do jazz (como é o caso de Shadows ou Ascensor para o Cadafalso). Soma-se a isso a sua própria inteligente e sutil evocação do longo diálogo do casal enquanto encenação teatral, sem ocultar um olhar direto de Lominicki para a câmera e sua pungente, mas longe de sentimental (quando contraposta, por exemplo, a uma aproximação mais convencional de semelhante tema pelo cinema  hollywoodiano de sua época com Bonequinha de Luxo) do amor enquanto antídoto para o cinismo e a mesmice cotidianas e os jogos de sedução e oclusão da explicitação do mesmo e se tem a medida de como o filme se sustenta interessante mais de meio século após seu lançamento. Menos interessante, talvez, sejam os diálogos que se pretendem conscientemente espirituosos ou charmosos como prefere o título. Há uma premência com relação ao momento “presente”, algo acentuado por sua compressão temporal, que embora longe de incomum em seus pares internacionais, aqui se faz particularmente destacada. Brincando com os códigos de sensualidade até então permitidos, a determinado momento observamos a carismática Stypulkowska, que somente voltaria a surgir em dois outros filmes, enrolar-se em um lençol, emulando um traje grego numa lascívia quase digna de Anita Ekberg. Ao desenrolar-se, no entanto, e postar o lençol sobre o varal diante da câmera/Bazily/espectador logo se perceberá que ela se encontra completamente vestida. Foi criticado, assim como Faca na Água, de Polanski, por abordar a juventude sem a moldura moral que o regime polonês pretendia que fosse imperativa em sua produção. Seu co-roteirista Skolimowski seguiria ele próprio uma longeva carreira como cineasta, iniciada nesse ano com vários curtas. P.P. Film Polski. 87 minutos.

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