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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Filme do Dia: Magnolia (1999), Paul Thomas Anderson





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Magnolia (Magnolia, EUA, 1999). Direção e Rot. Original: Paul Thomas Anderson. Fotografia: Robert Elswit. Música: Jon Brion. Montagem: Dylan Tichenor. Dir. de arte: William Arnold,  Mark Bridges,  Shepherd Frankel & David Nakabayashi. Cenografia: Chris L. Spellman. Figurinos: Mark Bridges. Com: Jeremy Blackman, Tom Cruise, Melinda Dillon, Luis Guzmán, Philip Baker Hall, Philip Seymour Hoffman, William H. Macy, Julianne Moore, Jason Robards, Melora Walters.

As vidas de algumas pessoas que moram em San Fernando Valley e suas atribuições são o material para que o cineasta realize mais um ácido painel da sociedade norte-americana, no estilo de Robert Altman e Todd Solondz. Entre essas pessoas se encontram: um garoto (Blackman) pressionado a ser o melhor num programa de auditório televisivo, o lider; um animador de um programa de auditório que cultua o macho, Frank T.J. Mackey (Cruise), que reencontra o pai, Earl (Robards) que se encontra em seu leito de morte; a atual esposa de Earl, Linda (Moore), arrependida pelo casamento por interesses; o apresentador de televisão Jimmy Gator (Baker Hall), que descobre que tem poucos meses de vida e conta para a esposa (Dillon) que abusou sexualmente da filha, a desequilibrada ninfômana e cocaínomana Claudia (Walters); o ex-garoto prodígio do show de Gator, hoje com sérios problemas profissionais e afetivos Donnie Smith (Macy); um policial obcecado pela disciplina e outros.
 Nesse drama de costumes, o cineasta mais descreve as situações do que procura enfatizar o caráter moral de seus personagens, ao mesmo tempo refletindo uma simpatia por esses talvez maior que a apresentada no Felicidade (1999) de Solondz, filme de estrutura bem similar e utilizando-se de uma montagem alternada e uma concentração de espaço e tempo que evoca  Short Cuts (1993), de Altman. Um dos grandes trunfos do filme é que, embora abertamente realista, apresenta seqüências que sutilmente ironizam com esse realismo, como a da chuva de sapos e a que os personagens cantam a canção Save Me, únicos momentos que o cineasta procura vincular, de modo mais orgânico,  todas as histórias paralelas que são traçadas. O outro é que, embora exista uma tensão crescente que parece transformar o pouco que há de estável nos personagens em absoluto caos, e que se concentra em um momento – a criança põe em jogo a lógica da pressão cruel a que se vê submetida sem meias palavras e ao vivo na TV, o policial perde sua arma, Frank Mackey se vê fragilizado diante do pai moribundo, Linda decide pôr um fim a própria vida – o final se afasta tanto de um desenlace confortável de todos os conflitos, como da perpetuação cega e cínica dos mesmos no filme de Solondz,  deixando patente que ali se encontram apenas momentos de uma trajetória de vida maior que aguarda novas alegrias e decepções. O trabalho dos intépretes, embora irregular, tende para boas interpretações, com exceções para momentos inconvincentes como o acesso de fúria de Claudia diante do pai e Mackey chorando no leito de morte daquele. Os diálogos, demonstram a influência de um senso de comicidade que trabalha pequenas idiossincrasias à la Quentin Tarantino, como no momento em que Claudia comenta com o policial sobre a disfunção de seu maxilar. Inicia e finaliza com um narrador e uma montagem em ritmo de videoclipe, sobre casos mais pitorescos que os apresentados no filme, como o do homem que acabou acidentalmente sendo cumplíce da própria morte. Anderson faz parte de um grupo de cineastas norte-americanos de tinturas mais autorais, não só escrevendo o próprio roteiro como utilizando com recorrência a mesma equipe técnica e atores. A utilização de elementos de nonsense dentro de um contexto realista, como no caso da chuva de sapos, é um recurso que foi utilizado ao extremo no contemporâneo Quero Ser John Malkovich (1999), de Spike Jonze. Urso de Ouro no Festival de Berlim. Ghoulardi Film Company/New Line Cinema/The Magnolia Project/188 minutos.

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