O Dicionário Biográfico de Cinema#321: Mack Sennett
Mack Sennett (Mikall Sinnott) (1880-1960), n. Danville, Canadá
O nome Sennett é quase um adjetivo. Se houvesse nomeado o estúdio com seu próprio nome, ao invés de Keystone, a "comédia Sennett" representaria todo aquele frenético e inocente tumulto que simboliza um momento na história. Por suposto, Sennett inventou a "comédia cinematográfica". Em 1937, seu Oscar especial citou "sua duradoura contribuição aos princípios básicos da técnica cômica nas telas, os quais são tão importantes hoje quanto foram os primeiros postos em prática."
Quais são estes princípios? Charlie Chaplin teve orientação do patrão: "Não temos roteiro - temos uma ideia, então seguimos a sequencia natural dos eventos até ela levar a uma perseguição, que é a essência de nossa comédia." Charlie desejava mais: foi para Sennett que descobriu o olhar e a atitude do Vagabundo; e foi Sennett que, um ano depois, não se convenceria a pagar ao esperto britânico mil dólares por semana.
Sennett não era verdadeiramente um artista. Havia atuado para Griffith, mas então Griffith delegou Sennett a supervisionar à produção de comédias. Sennett foi bom nas risadas; cheio de energia e entusiasta. Chaplin e outros utilizaram-no como amostra do público. Mack conhecia o que era divertido e então concluía aquela piada e a lançava ao público. A coisa mais importante na qual Sennett foi pioneiro foi ser um produtor.
Quando ainda adolescente, a amiga da família Marie Dressler o apresentou ao empresário teatral David Belasco. Então Sennett foi ao vaudeville onde foi um artista menor, e foi em 1908 para a Biograph supervisionar trabalhos. Griffith o contratou e utilizou-o bastante entre os anos de 1908 e 1911. Escreveu alguns roteiros e fez alguma direção, e por sugestão de Griffith começou a estudar a mecânica da comédia - não o forte em Griffith.
Em 1912 Sennett abadonou a Biograph e com alguns apostadores como apoio, formou a Keystone. Levou consigo da Biograph Ford Sterling e Mabel Normand e estabeleceu o padrão da comédia pastelão - com garotas deslumbrantes, idiotas acorujados, nobres simplórios, exércitos de policiais como formigas e o tumulto da perseguição. Amava os truques, mas também teve o sentimento inconsciente por luz e espaço e seus melhores filmes deram fascinantes lampejos da Los Angeles em seus primórdios.
Ninguém pode acusar Sennett de planejar isso, mas ele filmou a desordem ou a reavaliação da ordem - colisões, acidentes, caos, a mecanização da perseguição, a pixilização da vida. Rode seus filmes de trás para a frente, e perceberá pouca diferença. Transferia ação de um vaso para o outro. Descobriu uma espécie de surrealismo no qual as pessoas jogavam pinball mais que viviam a vida. Isto é vital para a natureza do cinema, e pode ser tanto aterrador quanto liberador. Pois não é totalmente humano.
Theodore Dreiser, por exemplo, viu isso enquanto acontecia. Entrevistou Sennett e dele disse: "Os trens, ou bondes, ou automóveis (...) colidiam uns com outros por puro impacto, transferindo grupos inteiros de passageiros para novas rotas e novas direções. Não são estas absurdidades ilustrações da antiga fórmula que sustenta o humor? Não é essa uma inflação desmedida da fantasia às alturas, onde a razão só pode, rindo, aceitar a mistura do normal com o anormal?"
Sennett geriu uma fábrica e se tornou supervisor de montagem, assim como um selecionador muito bom de talentos. Admirava Mabel Normand e ela gostaria de ter casado com ele, mas tinha sua aventura com Mae Bursch. Apoiou Fatty Arbuckle, Mack Swain, Chaplin, Slim Summerville e, posteriormente, Gloria Swanson e Harry Langdon.
Em 1915, a Keystone se tornou parte da Triangle: Sennett, Griffith e Thomas Ince eram as três grandes figuras do momento. Quando a Triangle acabou, Sennett voltou a sua própria unidade, lançando através da Paramount e, posteriormente, Pathé. A maior parte eram filmes de um ou dois rolos, mas ao longo dos anos houve uns poucos longas: Tille's Punctured Romance [Idílio Desfeito], que ele próprio dirigiu, e Mickey (18, Richard Jones*), um veículo para Mabel Normand.
Nos idos dos anos 20, esteve em declínio ou mesmo passado. Como admitiu, não foi receptivo a histórias, personagens e atitudes. E sua energia agora parecia crua e ingênua. Naturalmente era ambas, mas olhando em retrospecto é fácil ver o dinamismo da época e sua nova tecnologia. As comédias Keystone se tornaram uma versão de Dadá, onde observamos o espectro de grandes terrores. A mais alarmante de todas as coisas é que os filmes foram feitos para rir.
Texto: Thomson, David. The New Biographical Dictionary of Film. N. York: Alfred A. Knopf, 2014, pp, 2417-19.
(*) N. do E: segundo o IMDB, co-dirigido por James Young.

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