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domingo, 30 de abril de 2017

Filme do Dia: Pickpocket (1959), Robert Bresson



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Pickpocket (França, 1959). Direção e Rot. Original: Robert Bresson. Fotografia: Léonce-Henri Burel. Montagem: Raymond Lamy. Dir. de arte: Pierre Charbonnier. Cenografia: Pierre Guffroy. Figurinos: Luce Scatena. Com: Martin LaSalle, Marika Green, Jean Pélégri, Dolly Scal, Pierre Leymarie, Kassagi, Pierre Étaix.

O jovem Michel (LaSalle) decide ser batedor de carteiras e ocasionalmente envia dinheiro à mãe (Scal), gravemente enferma, embora não a visite pessoalmente. Também não quer atender aos apelos da vizinha Jeanne (Green), que cuida de sua mãe e é amante de seu amigo Jacques (Leymarie). Inicialmente praticando seus delitos no metrô, Michel se torna visado por um inspetor policial (Pélégri) quando fora encaminhado como suspeito de ter roubado uma senhora, porém inocentado. Posteriormente, no entanto, não se esquiva em apresentar ao inspetor suas leituras sobre técnicas de furto no passado. Certo dia, conhece outro homem  (Kassagi) que lhe ensina todas as sutilezas da arte do roubo. Um dia decide visitar sua mãe, que morre pouco tempo depois. Com a polícia apertando o cerco contra ele e flagrando seus ex-comparsas sendo presos, Michel viaja para Milão e Londres, retornando após dois anos a Paris, tendo gasto todo seu dinheiro com farras e mulheres. Ao retornar, promete ajudar Jeanne, que vive sozinho com o filho, mas é preso quando tenta aplicar um golpe no mesmo local de seu primeiro furto. Um policial é usado como isca e quando tenta furtá-lo Michel é preso. Detrás das grades, confessa a Jeanne que não se incomoda em estar preso, mas sim em ter sido flagrado em ato e que finalmente teve que vivenciar tudo isso para descobrir seu amor por ela.

A austeridade habitual de Bresson se casa aqui com a excelente interpretação de LaSalle para criar uma obra inspirada e antecipadora do cinema moderno que a seguiria. Destituído de sentimentalismo mas não de interesse – que transcende o do mero voyeur – por seu personagem, Bresson segue mais um que sofre como todos aqueles seus outros personagens (Joanna D´Arc, o pároco em Diário de um Pároco de Aldeia ou Mouchette no filme de mesmo nome) por sua inadaptação às convenções de um mundo que vão contra seus princípios morais bem peculiares. É perceptível a opção do cineasta por buscar através das ações presentes no filme refletir mais o estado interior de seus personagens, já que não expresso através das interpretações dramáticas convencionais, que propriamente as explorá-las como motivações para criar sensações – nesse sentido, seu resumo de que sua viagem pela Europa que concentra dois anos numa frase é exemplar. Seu estilo seco e interpretações despojadas aliados a uma trilha musical não original (a partir de uma ópera de Jean-Baptiste Lully) praticamente inexistente, que usualmente pontua as transições entre as sequências, influenciaria várias gerações de cineastas, direta ou indiretamente (via Godard, por exemplo). Por outro lado, nega ao expectador as compensações fáceis das regras da manipulação emocional habituais. Compagnie Cinématographique de France. 75 minutos.

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