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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Filme do Dia: Lone Star - A Estrela Solitária (1996), John Sayles

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Lone Star – A Estrela Solitária (Lone Star, EUA, 1996). Direção, Rot. Original e Montagem: John  Sayles. Fotografia: Stuart Dryburgh. Música: Mason Daring. Dir. de arte: J.Kyler Black. Cenografia: Diana Freas. Figurinos: Shay Cunliffe. Com: Chris Cooper, Elizabeth Peña, Stephen Mendillo, Kris Kristofferson, Matthew McConaughey, Clifton James, Eleese Lester, Frances McDormand, Gilbert R. Cuellar Jr., Ron Canada, Gabriel Casseus.
O xerife Sam (Cooper) é alertado por exploradores de uma região desértica sobre a presença de uma ossada humana à superfície da terra. Sam acredita que seja do xerife que lhe antecedeu, Charlie Wade (Kristofferson), conhecido pelo tratamento extremamente violento que dispensava a mexicanos e negros na cidadezinha de Rio County que se encontra na fronteira entre o México e Texas. Suspeita-se que seu pai, Buddy Deeds (McConaughey), notório rival de Wade, e também policial, possa se encontrar envolvido no evento. Sam, por sua vez, possui uma atração que remonta a adolescência por Pilar (Peña), mexicana suposta filha de Eladio Cruz (Cuellar Jr.), morto a sangue-frio por Wade. Dentre os que sabem muito a respeito de Wade se encontra o dono de bar negro Otis (Canada), vítima frequente de suas brutalidades enquanto jovem (Casseus).
Sayles constrói uma curiosa teia que mescla memória afetiva e história social, sendo que aqui, ao contrário do habitual tratamento que lhe é dado, é a história social que vem a saltar aos olhos mais que a pessoal, já que não temos acesso ao universo particular de seu protagonista muito além de sua relativa desconfiança para com o mito firmado que representa seu próprio pai junto à cidade. De fato sua trama, com todos os ingredientes para se tornar um melodrama do formato mais convencional possível, com personagens em número excessivo e trespassda por eventos do passado não se torna de tão fácil acesso como aqueles seja pela quantidade de personagens e referências citadas, trabalhadas de forma relativamente virtuosa por sua montagem, seja pela referida recusa a ter como eixo o ponto de vista que representaria a memória subjetiva de seu protagonista.  Ao se abdicar do aprofundamente na caracterização psicológica  de seus personagens se consegue tanto o relativo distanciamento emocional que abarca toda a narrativa quanto, e talvez de forma menos interessante, a homogeneidade do caráter vilanesco de Wade, sempre observado/evocado como a encarnação do mal em todos os momentos que surge, numa interpretação que, curiosamente, desconstrói a habitual persona cinematográfica de Kristofferson, geralmente vinculada a figuras de perfil progressista e anárquico. O mesmo pode ser dito de sua contraparte, Buddy. Algo que pode ser descontado pelo espectador, assim como Sam, por apenas obter o retrato dos dois, a partir do filtro  de pessoas que testemunharam seus atos de recortes bastante específicos. Com uma trilha sonora repleta de canções tampouco usuais como Sabor a Mi (ao menos na cinematografia norte-americana) e I Want to be a Cowboy’s Sweetheart que, a seu modo, impregnam a proposta estética do filme de forma similar ao que um realizador como Tarantino, em chave bem diversa e mais escrachada, faz na seleção musical de seus filmes. Tampouco existe exatamente uma voyeurização da violência, característica que o cineasta já havia apresentado suas restrições em outras produções (como Matewan). Há versões aparentemente mais longas em alguns minutos. Columbia Pictures Corp./Castle Rock Ent./Rio Dulce. 128 minutos.

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