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quinta-feira, 30 de março de 2017

Filme do Dia: Cobra (1925), Joseph Henabery


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Cobra (EUA, 1925). Direção: Joseph Henabery. Rot. Adaptado: Anthony Coldeway, June Mathis & Natacha Rambova, baseado na peça de Martin Brown. Fotografia: Harry Fischbeck & Deveraux Jennings. Montagem: John H. Bonn. Dir. de arte: William Cameron. Figurinos: Adrian. Com: Rudolph Valentino, Nita Naldi, Casson Ferguson, Gertrude Olmstead, Hector Sarno, Claire de Lorez, Eileen Percy, Lilian Langdon.

O aristocrata conquistador Conde Rodrigo Toriani (Valentino) parte para os Estados Unidos com o recém-amigo Jack Doming (Ferguson), para tentar refazer sua vida, trabalhando como consultor na empresa do amigo que vende antiguidades. Rodrigo apaixona-se por sua secretária, Elise (Naldi). A libertina esposa de Jack, Mary Drake (Olmstead), consegue seduzi-lo e o casal vai a um hotel. Drake morre tragicamente no hotel, após a partida de Toriani. Atormentado com a culpa em relação ao amigo Doming, Toriani lhe revela sobre a noite que passara com sua esposa e parte para uma temporada na Itália, por indicação do amigo. Quando de seu retorno, fica sabendo do interesse de Doming por Elise, o único amor “sincero” que vivenciara na vida. Toriani finge ser o incorrigível galanteador para Elise e parte em viagem.

Penúltimo filme da relativamente breve (12 anos) mais intensa (39 títulos) carreira do então galã maior de Hollywood, Valentino. Embora não seja notável nem em termos de estilo nem tampouco em sua moralidade, com relação à produção rotineira contemporânea, o filme consegue ser eficiente nos limites do melodrama onde a paixão romântica do protagonista é praticamente rivalizada pela dedicação ao amigo. E é dentro dos códigos da dupla moralidade que o filme merece ser lido do início ao final. Sua ambiguidade surge notavelmente no momento de chegada a Nova York, quando logo após uma cartela que afirma que ele viajara com a melhor das intenções, observa-se o mesmo a observar as pernas das senhoras que passeiam no convés do navio, enquanto o amigo lhe aponta  que  outra senhora, a Estátua da Liberdade, lhe trará menos aborrecimentos. A mensagem é clara e tem uma forte vinculação com as identidades nacionais. O italiano de “sangue quente” se tornará domesticado sob a égide de uma nova moral, nos Estados Unidos. E as figuras femininas são a contraposição polar mais marcada do que se possa esperar. Enquanto uma é doméstica, suave, protetora e dedicada, além de submissa em seu amor, sendo que a profissão lhe cai como uma luva, a outra é uma vamp intempestiva e devoradora de homens, que lhe rende a alcunha que é título do filme. Sua sexualidade “desregrada” evidentemente será punida com morte violenta. De toda forma, ainda que o filme mais aponte que explicite de fato – já que não ficamos sabendo da decisão de Elise – ele condena a infelicidade e mesmo a morte àqueles que se guiavam até então pelo padrão da sexualidade agressiva e unindo o casal de moral “impoluta” e norte-americano. Enquanto Toriani, figura de aristocracia bastante identificada com o Velho Mundo, representa algo de atraente e repulsivo ao mesmo tempo e se auto-sacrifica, a vamp ver a ser sacrificada de forma quase Deus Ex-Machina. Ninguém praticamente conseguiu vencer a barreira do som. Valentino e Ferguson pela morte precoce, Naldi pelo insucesso de fazer a transição (de fato nem tentou ou não foi aceita em produções sonoras) e Henabery tendo sido relegado a direção de curtas, a escala mais baixa que poderia haver na indústria. Natacha Rambova, esposa de Valentino e produtora do filme, surge numa ponta não creditada como dançarina. Há uma referência a essa produção em A Invenção de Hugo Cabret (2011), de Scorsese. Ritz-Carlton Pictures para Paramount Pictures. 70 minutos.

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