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segunda-feira, 27 de março de 2017

Filme do Dia: Lucía (1968), Humberto Solás

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Lucía (Cuba, 1968). Direção: Humberto Solás. Rot. Original: Julio García Espinosa, Nelson Rodríguez & Humberto Solás. Fotografia: Jorge Herrero. Música: Leo Breuwer. Montagem: Nelson Rodríguez. Figurinos: Maria Elena Molinet. Com: Raquel Revuelta, Eslinda Nuñez, Adela Legrá, Eduardo Moure, Ramón Brito, Adolfo Llaurado, Idalia Anreus, Silvia Planas.
Nos tempos da Guerra pela independência contra a Espanha, Lucía (Revueltas), filha de família tradicional, parece descobrir que sua sorte será de se tornar uma velha tia solteirona quando o charmoso Rafael (Moure), que possui livre trânsito entre a Espanha e Cuba se enamora dela. Logo descobre que ele possui um filho com outra mulher na Espanha, o que gera grande escândalo na sociedade local. Lucía não ressiste ao seus encantos, no entanto, fugindo de casa com a promesse de viver com ele nos cafezais da família. Porém, Rafael, a abandona em meio ao conflito entre cubanos e espanhóis. Para piorar tudo, encontra o outro homem que mais amava na vida, seu irmão Filipe, morto em decorrência do mesmo conflito.  Década de 1930. Lucía (Nuñez), jovem filha de pais burgueses separados, apaixona-se pelo revolucionário Aldo (Brito), porém o romance de ambos é constantemente interrompido pela engajamento armado de Aldo que o acaba por matá-lo. Década de 1960. Lucía se casa com Tomas (Llaurado), porém o que era somente amor e sexo nas primeiras semanas, transforma-se  num pesadelo quando ela descobre o marido extremamente possesivo.

Num dos mais aclamados filmes cubanos, Solás pretende refletir sobre a situação de opressão às mulheres na cultura cubana em três momentos históricos distintos. Talvez o menos interessante dos episódios seja o segundo, que não consegue sequer suscitar um processo de identificação mais efetivo para com o drama de seus personagens. O primeiro, de notada influência dos dramas históricos de Visconti, não consegue com a mesma facilidade do cineasta italiano fazer do drama pessoal e intimista expressão para as tensões sociais e de classe mais amplas. Com relação ao último, o tom didático que pretende ser um recado nada sutil para a cultura machista cubana só não chega a sufocar por completo sua narrativa (a música Guantanamera funcionando como mais um elemento de redundância ao longo da mesma) por conta de no final, ao contrário do esperado, não haver nenhum acordo entre o machismo providencialmente irritante de Tomas e o desejo mínimo de emancipação de Lucía, demonstrando que a condição de opressão feminina está longe de resolvida mesmo em tempos “revolucionários”. ICAIC. 160 minutos.

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