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sexta-feira, 15 de abril de 2016

The Film Handbook#71: Barry Levinson



Barry Levinson
Nascimento: 06/04/1942, Baltimore, Maryland, EUA
Carreira (como diretor): 1982-

Mesmo que Barry Levinson ainda tenha que cumprir com o saldo promissor de sua estreia, ele é um dos mais intrigantes realizadores norte-americanos do cinema mainstream a surgirem nos últimos anos. Ao contrário de muitos da geração pós-Spielberg, parece mais feliz com as palavras que com os efeitos especiais, e é mais adepto na realização de filmes para adultos que adolescentes.

Levinson chamou a atenção primeiramente como roteirista de comédias para o cinema e a televisão - seus roteiros incluíram A Última Loucura de Mel Brooks/Silent Movie e Alta Ansiedade/High Anxiety de Mel Brooks e Justiça para Todos/...and Justice for All, co-escrito com Valerie Curtin - então dirigindo o tremendo sucesso Quando os Jovens se Tornam Adultos/Diner>1. Baseado parcialmente em sua própria juventude e ambientado em Baltimore, em 1959, o filme reconta a experiência de um grupo dos então adolescentes cujo passatempo favorito e persistente era discutir esportes, rock&roll e se encontrar tarde da noite na comedoria do título. O enredo do filme é parco e confuso, mas as caracterizações, encarnadas por interpretações soberbas de um elenco jovem virtualmente desconhecido são cheias de vida; e o ouvido de Levinson para diálogos engenhosos, obsessivos e plausivelmente inconsequentes - um personagem entoa números de série de vinis como inspirada litania, outros diálogos de A Embriaguez do Sucesso de Mackendrick - elevaram seu certeiro senso de detalhes da época.

Um Homem Fora de Série/The Natural foi uma adaptação exagerada e superficial do romance de baseball de Bernard Malamud, ocasionalmente comovente de forma xaroposa e imersa na imagem salutar e plenamente americana de Robert Redford; pior, O Enigma da Pirâmide/Young Sherlock Holmes and the Pyramide of Fear, realizado para Spielberg debilitou seu retrato do faro investigativo precoce de um colegial com efeitos especiais em excesso e um enredo frenético. Os Rivais/Tin Men>2, no entanto, uma comédia de humor negro sobre a rivalidade insana que surge entre dois vendedores de paredes de alumínio após um pequeno acidente de carro. foi algo como um retorno à forma. Ainda que o enredo, em última instâncias, naufrague em sentimentalismo, com a sedução como vingança da esposa de seu inimigo produzindo um improvável amor mútuo, sua visão da pequenez e orgulho humanos é grandemente severa e a discreta evocação de época e lugar por Levinson - novamente Baltimore, em 1963 - dá vazão a boas piadas e uma espontânea atmosfera de autenticidade. Novamente o anedótico e performático foi o que também dominaram Bom Dia, Vietnã/Good Morning, Vietnan. Aqui o retrato de um irreverente, iconoclasta e anti-autoritário DJ da aeronáutica americana de fala rápida e virtuoso de Robin Williams é prejudicado por um trama que tanto sentimentaliza as relações entre os americanos que servem na guerra e os vietnamitas na Saigon de 1965 e escorregões em heroísmo fácil e suspeito em sua avaliação da importância do DJ para a moral da força aérea. Apesar de tudo, os diálogos são frequentemente deliciosamente engenhosos - nostálgicos e inteligentes, mas nunca arcaicos ou maneiristas. Menos típico, no entanto, foi Rain Man; a interpretação grandemente aclamada de Dustin Hoffman como um autista genial com os números, cuja bondade básica ajuda a redimi-lo seu irmão vigarista mais jovem, sendo o único elemento digno de nota em um, doutro modo, maçante, se digno, filme.

O amor de Levinson pelas palavras, gags e anedotas é sintomático de suas origens como roteirista; do mesmo modo o tratamento visual de seus filmes é frequentemente monótono e banal. Mesmo que ele necessite aprimorar seu senso narrativo, seus personagens são críveis, cheios de vida e divertidos no seu desenvolvimento inconsciente de obsessões monomaníacas e vinculação ao efêmero. Uma alternativa ao interesse prevalecente corrente em aventuras pouco inteligentes e remakes e sequencias  nada entusiasmantes, sua obra - madura e não convencional - merece atenção.


Cronologia
Levinson pode ser visto como pertencendo à tradição de diretores-roteiristas orientados pelos diálogos que inclui Sturges, Wilder e Mankiewicz. Dos diretores mais jovens, pode talvez ser comparados com os Irmãos Coen.

Destaques
1. Quando os Jovens se Tornam Adultos, EUA, 1982 c/Daniel Stern, Mickey Rourke, Steve Guttenberg

2. Os Rivais, EUA, 1987 c/Richard Dreyfuss, Danny DeVito, Barbara Hershey.

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 168-9. 










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