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sexta-feira, 29 de abril de 2016

The Film Handbook#73: David Cronenberg



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David Cronenberg

Nascimento: 15/05/1943, Toronto, Canadá
Carreira (como realizador): 1969-

Assim como os filmes de David Cronenberg repetidamente se preocuparam com as relações entre a mente e o corpo como tema, da mesma forma sua própria obra é definida tanto pela complexidade intelectual quanto pela descrição sanguinolenta e explícita da decadência física, doença e mutilação.

Após estudar ciências e posteriormente literatura na universidade - onde realizou dois curtas surreais - Cronenberg  chamou pela primeira vez atenção, ao nível do cult, com os filmes Stereo e Crimes of the Future, ambas produções de ficção-científica grandemente experimentais que antecipavam suas obsessões futuras. Stereo diz respeito a indução cirúrgica da telepatia; Crimes lida com as novas mutações genéticas resultantes dos cosméticos. A mesma visão subversiva de uma sociedade reconhecível ameaçada por experiências mal conduzidas voltaram no mais convencional Shivers (The Parasite Murders)/Calafrios>1: um condomínio de apartamentos de luxo se torna um inferno da promiscuidade maníaca quando parasitas semelhantes a lesmas passam de inquilino para inquilino. Inteligente, mesmo antecipador, em sua exploração dos medos primais que alcançam proporções apocaliptícas sendo, não obstante grosseiro - os falos negros das lesmas são repulsivamente realistas - e perturbador em sua repugnância com a fisicalidade humana.

Comunidades possuídas e a atração do diretor-roteirista por interesses puritanos, senão escatológicos sobre os perigos da sexualidade foram centrais para Rabid (uma garota com um ferrão peniano em sua axila infecta os outros com o vírus que os torna maníacos homicidas); The Brood/Os Filhos do Medo (inspirado pelo divórcio de Cronenberg, a respeito de uma mulher sob influência de uma nova forma de psicoterapia que produz uma prole desumana e criminosa como as manifestações orgânicas de sua própria fúria) e Scanners/Scanners - Sua Mente Pode Destruir (dois irmãos, vítimas telepáticas da ciência institucionalizada. se engajam numa batalha de literalmente explodir os miolos). Visto por alguns como a obra-prima de Cronenberg, Videodrome/Videodrome: A Síndrome do Vídeo>2 foi uma complexa sátira sobre a mídia no qual o produtor de uma televisão a cabo- um fanático por vídeo literalmente intoxicado pela violência sexual na televisão - desenvolve uma fenda em seu estômago que aceita vídeos "vivos" que programam suas alucinações. Parte crítica social, parte uma resposta oblíqua as acusações comuns contra sua própria obra, o filme foi horripilante e criativamente visionário.

O primeiro filme americano de Cronenberg, uma relativamente livre de sangue adaptação de Stephen King, A Hora da Zona Morta/The Dead Zone foi seguido por A Mosca>3, no qual experiências genéticas fundem as moléculas do próprio cientista com as de uma mosca; enquanto ele e sua noiva brigam para chegarem a um acordo quanto a seu corpo crescentemente decrépito e mudanças e caracteristicamente repulsivos efeitos visuais são combinados com uma história de amor. Aberto a uma interpretação como uma alegoria sobre os lancinantes efeitos emocionais do vírus da AIDS, seguido pelo igualmente bem sucedido Dead Ringers/Gêmeos - Mórbida Semelhança no qual gêmeos idênticos - ginecologistas em uma clínica de fertilização - a se refugiarem em um mundo sinistro, sádico e insano após uma mulher com quem ambos haviam dormido (sem o conhecimento dela, naturalmente) despertando ciúmes nunca antes vivenciados.

Claramente imaginativo em suas tentativas de investir as convenções da ficção-científica clássica (médicos loucos, monstros, mulheres predadoras como vampiras) com elementos modernistas de crítica social e política, Cronenberg ainda parece misantropo e reacionário em sua visão da anatomia humana como condenada e perigosa. De fato, a despeito de sua originalidade, inteligência e ambição - certamente louvável em tempos de entretenimentos estúpidos e massacres gratuitos - pode parecer um paradoxo, que a mesma seja berço de confusão, em seu foco repetido e explícito sobre/e mutilação da fisicalidade que tanto o desgosta.

Cronologia
Os antecessores de Cronenberg incluem os romancistas góticos, os expressionistas alemães, Browning, Mario Bava, Godard, Dario Argento, Romero e, como ele próprio admite, Creature from the Black Lagoon/O Monstro da Lagoa Negra. Seu gosto pela sanguinolência explícita possui paralelos em Tobe Hopper, Jeff Lieberman, Wes Craven, Sam Raimi e Lucio Fulci.

Leituras Futuras
The Shape of Rage: The Films of David Cronenberg (org. Piers Handling, Nova York, 1983).

Destaques
1. Calafrios, Canadá, 1975, c/Paul Hampton, Joe Silver, Barbara Steele

2. Videodrome: A Síndrome do Vídeo, Canadá, 1982 c/James Woods, Sonia Smits, Deborah Harry

3. A Mosca, EUA, 1986, c/Jeff Goldblum, Geena Davis, John Getz

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, p. 66-7.

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