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sexta-feira, 22 de abril de 2016

The Film Handbook#72: Paul Cox



Paul Cox
Nascimento: 16/04/1940, Venlo, Holanda
Carreira (como diretor): ;1965-

Enquanto muitos diretores australianos dos anos 70 e 80 se voltaram para a nostalgia, sátira irrestrita e thrillers derivativos de Hollywood, Paul Cox trilhou uma trajetória mais pessoal, discretamente explorando as problemáticas relações românticas da moderna classe média suburbana.

Após anos realizando filmes experimentais (em sua maioria curtas), Cox chamou a atenção de um público mais amplo com Kostas, tocante narrativa do amor de um taxista imigrante por uma australiana divorciada. Prejudicado pela obviedade de seu retrato de preconceitos de classe e racial, de toda forma pavimentou o caminho para Lonely Hearts>1. Abordando novamente um romance que começa mal - dessa vez entre um afinador de pianos de classe média e uma tímida funcionária de banco, que conhece através de um encontro no computador - a honestidade emocional do filme foi garantida pelo tom sutilmente cômico e por uma consciência aguda das pressões repressoras dos pais: exercendo seu direito de viverem juntos, os amantes conquistam tardiamente sua liberdade.

Mais frio e complexo foi O Homem das Flores/Man of Flowers, análise barroca e frequentemente pretensiosa da bizarra insegurança sexual de um colecionador de arte no encontro quase paternal com uma jovem modelo de artistas, um retrato intencionalmente oblíquo da vida imitando a arte, tendo sido o primeiro grande sucesso de Cox, estabelecendo um estilo pessoal distinto. Uma câmera elegantemente móvel ronda os imaculados interiores iluminados; flashbacks em imagens tremeluzentes em 16 mm denotam tanto a fragilidade quanto a importância da memória; personagens peculiares, música clássica e simbolismo através das flores ganham proeminência. De longe mais eficaz, no entanto, foi My First Wife>2, que analisa o colapso de um casamento e, temporariamente, da sanidade do ciumento marido abandonado. Novamente, Cox desvenda os laços entre gerações, com os pais tanto da esposa quanto do marido determinados a conseguirem influência sobre um divórcio ainda não decidido de todo, e a criança do casal sofrendo seu próprio trauma duradouro. De forma crucial, a recusa de Cox de julgar seus personagens e as vigorosas performances mantiveram o sentimentalismo à distância.

Ainda que potencialmente uma história ainda mais lacrimosa (uma garota semi-cega por conta de um acidente de carro começa a aceitar sua deficiência através de um homem cego desde a infância), Cactus>3 foi impressionante pelo sem tom comedido e humor oblíquo, ainda que a premissa da cegueira proporcionando o caminho para o auto-conhecimento tenha sido romântica e paternalista. Vincent, no entanto, afastou-se das preocupações habituais de Cox: um adorável documentário de baixo orçamento em tributo a Van Gogh com a vida do artista e suas pinturas observadas por uma câmera subjetiva.

O compromisso de Cox com a emoção de seus personagens e sua habilidade em narrar das vidas interiores às vizinhanças que as rodeiam - frequentemente os tranquilos subúrbios edwardianos de Melbourne - põe-no no primeiro plano do cinema australiano. De forma crucial, evitando o melodrama inerente ao seu material por meio da elegância visual e interpretação naturalista.

Cronologia
O estilo elegante de Cox, raro no cinema australiano permite pouca relação com os filmes de gênero de, digamos, Weir ou George Miller; ele é mais próximo de diretores europeus como Claude Goretta, Truffaut e Malle.

Leituras Futuras
Australian Cinema 1970-1985, de Brian McFarlane, Secker & Warburg, 1987.

Destaques
1. Lonely Hearts, Austrália, 1982 c/Norman Kaye, Wendy Hughes, Jon Finlayson

2. My First Wife, Austrália, 1984 c/Wendy Hughes, John Hargreaves, Charlotte Angwin

3. Cactus, Austrália, 1986 c/Isabelle Huppert, Robert Menzies, Norman Kaye

Fonte: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 65-6.

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