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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Filme do Dia: Inverno de Sangue em Veneza (1973), Nicolas Roeg


Inverno de Sangue em Veneza Poster


Inverno de Sangue em Veneza (Don´t Look Now, Reino Unido/Itália, 1973). Direção: Nicolas Roeg. Rot. Adaptado: Chris Byrant & Allan Scott, baseado no conto de Daphne du Maurier. Fotografia: Anthony B. Richmond. Música: Pino Donaggio. Montagem: Graeme Clifford. Dir. de arte: Giovanni Soccol. Cenografia: Francesco Chianese. Figurinos: Marit Allen & Andrea Galler. Com: Julie Christie, Donald Sutherland, Hilary Mason, Clelia Matania, Massimo Serato, Renato Scarpa, Giorgio Trestini, Leopoldo Trieste.
           John Baxter (Sutherland) viaja com a esposa Laura (Christie) à Veneza, para comandar a reforma de uma igreja a pedido do bispo Barbarrigo (Serato). Logo, no entanto, uma série de fatos estranhos começam a se suceder, como misteriosos assassinatos e a amizade de Laura com duas irmãs de meia-idade Heather (Mason) e Wendy (Matania), que ela acredita possuírem poderes mediúnicos. John, assustado com o efeito sobre a esposa, que já se encontrava em vias de superar o trauma da perda da filha por afogamento, sofre um acidente quando encontra-se no trabalho, enquanto a esposa retorna à Inglaterra para visitar o filho, que sofreu um acidente na escola. Assustado, Baxter presencia uma cerimônia fúnebre em que Laura é acompanhada por Heather e Wendy. Procurando ajuda na polícia, ele encontrará um estranho investigador, Longhi (Scarpa), que prefere que o próprio Baxter inicie a investigação. Logo, para seu completo espanto, ele comprovará que Laura encontra-se na Inglaterra. Encontrando Heather, uma das irmãs cegas na delegacia, Baxter a levará até seu apartamento. Porém, logo que ela chega, passa a ter convulsões violentas, gritando por seu nome. Ainda assustado, persegue alguém que acredita ser sua filha, mas que se revelará ser uma anã que lhe assassina. Laura, que não consegue adentrar o portão da casa onde ocorre o crime, participa da cerimônia fúnebre ao lado de Heather e Wendy.
               Mesclando elementos dos filmes de ação, suspense e terror, Roeg realizou sua primeira incursão no universo hiper-realista, cujo estranhamento ainda seria mais burilado em filmes como o inferior O Homem Que Caiu na TerraBad Timing (1980). Embora adaptado de um conto de Maurier, habitualmente adaptada pelo cinema clássico americano, o cineasta aproxima sua adaptação de seu universo particular, mesmo que seja percebida a nítida influência de filmes como O Bebê de Rosemary (1968), de Polanski, na mescla de paranoia e terror sobrenatural em um ambiente contemporâneo. Porém, ao contrário do filme do cineasta polônes, muitas vezes a busca de estranhamento de Roeg soa forçada – como o diálogo e a postura estranhas do investigador – enquanto em outras ele consegue criar uma atmosfera peculiar. Graças a sua narrativa fragmentada e esquizoide, somente depois perceberemos que John Baxter visualizou a sua própria cerimônia fúnebre. Seu grande trunfo é justamente a forma magistral que o cineasta interconecta passado (nas sequências que aparecem a filha do casal ainda viva), presente e futuro, utilizando-os como apoio para a descrição dos medos e ansiedades comuns a todos os mortais. Igualmente referencia A Hora do Lobo (1968), de Bergman. Casey/Eldorado Films. 110 minutos.


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