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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Filme do Dia: The Visitor (2002), Dan Castle



The Visitor (Austrália, 2002). Direção e Rot. Original: Dan Castle. Fotografia: Richard Michalak. Música: Glen Muirhead. Montagem: Bridget Lyon & Scott Patterson. Dir. de arte e Figurinos: Dorothy Sapinska. Com: Barry Otto, Nick Carpenter, Damian de Montemas.
Michael (Otto), escritor homosexual de meia-idade, não consegue lidar com o fato de seu antigo amante, Chris, encontrar-se em estado terminal, recusando atender suas ligações. Seu trabalho é interrompido por um grupo de jovens surfistas que se encontram em sua vizinhança. Michael sente-se extremamente atraído por um deles (Carpenter) e o observa na praia, até que ele some em meio a uma de suas manobras. Michael o redescobre já na areia. Ele retorna a sua casa e para sua completa surpresa, encontra o jovem semi-despido em sua casa. Ambos entabulam uma conversa e após se afastar um momento ele vai reencontrar o garoto em sua cama, porém morto.
Esse pretensioso curta que faz várias analogias a Morte em Veneza (1971), de Visconti, consegue se manter relativamente equilibrado até o momento em que envereda por sua opção equivocada de aludir a metáforas relacionadas ao amor e morte, tal como no filme em que se espelha, de forma um tanto ligeira, inclusive dada a sua dimensão em termos de metragem. Se algum ridículo voluntário ou involuntário já se encontrava posta na figura do amante mais velho e sua atração por um amado no filme de Visconti, e aqui vem a ser ressaltada, esse elemento está longe de ser o que haveria de problemático com o filme. Mesmo curto, o filme poderia lidar de forma mais objetiva e direta e sem necessidade de personagens como o amigo escritor de Michael, que de fato nada acrescentam em termos dramáticos e ainda roubam momentos que poderiam ser investidos no silêncio, algo que Visconti soubera tirar grande partido. Outra discrepância é a tentativa de se evocar o sublime, mas ao mesmo tempo não distanciá-lo da mais pura dimensão cotidiana e sua banalidade mais chã, assim como enfático voyeurismo em corpos masculinos jovens, como no momento em que a câmera simplesmente se “deleita” com o corpo do jovem surfista ou que seus amigos abaixam o calção e mostram seus traseiros logo ao início – a evocação inicial da perturbação dos jovens a um velho irritadiço e pouco afeito ao barulho e a quem lhe tire de seu espaço, que posteriormente “recupera” o que parecia ser algo de sua juventude, é uma evidente alusão, igualmente precária e pretensiosa, a outra produção de Visconti, Violência e Paixão (1974). Jour de Sete Films. 30 minutos.

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